Casos de sarampo aumentam nas Américas e OPAS reforça alerta sobre vacinação
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 09:30 | Atualizado há 11 horas
Vacinação contra o sarampo é considerada pela OPAS a principal medida para conter a transmissão da doença | Foto: Adobe Stock
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomendou que os países das Américas reforcem as ações de vacinação e o monitoramento do sarampo diante do aumento de casos registrados na região. Em alerta divulgado no último sábado (8), a entidade classificou como muito alto o risco da doença para a saúde pública.
Os dados mais recentes, referentes à semana epidemiológica 28 de 2026, encerrada em 18 de julho, apontam 47.459 casos confirmados de sarampo em 16 países e um território. O número de mortes chegou a 44.
O total de infecções registrado neste ano já é mais de três vezes superior ao contabilizado durante todo 2025. No ano passado, foram 15.011 casos confirmados e 32 mortes nas Américas.
Guatemala, México, Estados Unidos e Peru concentram cerca de 95% dos casos identificados em 2026. Os quatro países respondem pela maior parte das infecções registradas no continente.
Transmissão continua
A circulação de pessoas entre diferentes países é um dos fatores que pode favorecer novos episódios de sarampo. Viagens internacionais e eventos com grande concentração de público aumentam o contato entre indivíduos e podem facilitar a chegada do vírus a locais que ainda não haviam registrado transmissão.
A OPAS também chama atenção para a expansão da doença para novas áreas e para o aumento das mortes em relação a 2025. O impacto tende a ser maior entre populações que enfrentam dificuldades para acessar serviços de saúde, o que amplia a vulnerabilidade desses grupos.
Embora alguns surtos tenham apresentado uma redução recente, o vírus ainda está ativo em diferentes pontos das Américas. A organização avalia que a cobertura vacinal insuficiente, somada ao crescimento do número de pessoas sem proteção adequada, favorece a continuidade da transmissão.
Altamente contagioso, o sarampo pode ser transmitido pelo ar e pelo contato com secreções respiratórias. A infecção costuma provocar febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas na pele. Nos quadros mais graves, podem surgir complicações como pneumonia e encefalite, com possibilidade de evolução para morte.
Vacinação é recomendada
O avanço do sarampo também é observado fora das Américas. Até julho de 2026, foram contabilizados 186.168 casos da doença em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O resultado representa crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Entre os grupos que exigem maior atenção estão as crianças pequenas, pessoas que não receberam a vacina ou que não completaram o esquema de imunização. Populações em situação de vulnerabilidade também estão mais expostas ao desenvolvimento de complicações graves.
Diante desse cenário, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) orienta os países a ampliarem as ações de imunização. A entidade recomenda que a cobertura com as duas doses da vacina seja mantida em pelo menos 95%, percentual necessário para interromper a circulação do vírus.
Para a organização, os surtos registrados nas Américas mostram que ainda existem falhas na proteção da população. A identificação dessas lacunas e a adoção de medidas para corrigi-las são consideradas urgentes para diminuir as chances de novos focos da doença.
A OPAS também mantém suporte técnico aos países da região, com ações voltadas ao aumento da vacinação, à identificação mais rápida de casos e ao fortalecimento da resposta diante de surtos. O trabalho é direcionado principalmente às localidades que apresentam índices de imunização abaixo do recomendado.