China nega acusação de Trump sobre suposta violação de dados eleitorais nos EUA
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 17 de julho de 2026 às 09:07 | Atualizado há 2 horas
Porta-voz da chancelaria chinesa, Lin Jian, rebateu as acusações de Donald Trump sobre suposta interferência eleitoral nos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Redes Sociais
A chancelaria da China classificou como “infundada” a acusação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país asiático teria cometido “a maior violação de dados eleitorais da história”, ao supostamente obter ilegalmente informações de cerca de 220 milhões de eleitores dos Estados Unidos.
“Nós não temos interesse em interferir nas eleições dos Estados Unidos e nunca fizemos isso”, disse nesta sexta-feira (17) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian. “Nós instamos os EUA a refletir sobre o seu próprio comportamento.”
A Casa Branca afirma que as informações seriam relativas a nome, endereço, telefone, preferências partidárias e outros dados sensíveis.
Trump faz novas acusações contra a China
Trump também afirmou que o regime chinês teria identificado jornalistas americanos que produzem reportagens críticas a ele e teria oferecido dinheiro para que esses profissionais publicassem ainda mais conteúdo negativo sobre o americano.
“Eles não se importavam com o que seria dito”, afirmou Trump. O presidente, no entanto, não apresentou evidências para sustentar as acusações nem especificou quais jornalistas ou veículos de comunicação estariam envolvidos.
“O governo chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a eleição seguinte. E a razão pela qual queriam que eu perdesse era porque sabiam que eu conhecia seus métodos, impus bilhões e bilhões de dólares em tarifas contra eles e construí as Forças Armadas mais fortes do mundo”, disse.
A declaração do americano vai de encontro a uma política diplomática chinesa segundo a qual Pequim reitera insistentemente que o país asiático não interfere ou comenta assuntos domésticos.
Acusações podem afetar trégua comercial
As alegações de Trump ocorrem dois meses após a visita dele a Pequim, a convite do líder do regime chinês, Xi Jinping, para uma visita de Estado, e representam uma ameaça à frágil trégua na guerra comercial entre os dois países.
A viagem foi uma extensão ao movimento iniciado em novembro do ano passado, quando os mandatários se encontraram em Busan, na Coreia do Sul, às margens da cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em português), para discutir a guerra tarifária e chegaram a acordos.
No encontro mais recente, o tom dado foi o de manter a aparência de estabilidade entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Xi pediu que os países trabalhassem no que chamou de “estabilidade estratégica”, um termo que tem feito parte das conversas entre as chancelarias chinesa e americana.
As novas falas de Trump também colocam em dúvida se o chinês aceitará o convite do americano para visitar Washington em setembro, um convite que teria sido feito como forma de reciprocidade à visita dele a Pequim. (Victoria Damasceno/FOLHAPRESS)