Internacional

Trump acusa China de interferência eleitoral sem provas e pede investigação

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 17 de julho de 2026 às 08:07 | Atualizado há 2 horas

Donald Trump durante pronunciamento à nação em que fez novas acusações sobre a eleição de 2020 e defendeu mudanças no sistema eleitoral dos EUA | Foto: Saul Loeb/Via Reuters
Donald Trump durante pronunciamento à nação em que fez novas acusações sobre a eleição de 2020 e defendeu mudanças no sistema eleitoral dos EUA | Foto: Saul Loeb/Via Reuters

A poucos meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, consideradas cruciais para a capacidade de Donald Trump de manter a sua agenda no Congresso, o presidente fez um discurso à nação na noite desta quinta-feira (16) repleto de teorias da conspiração em que ataca o sistema eleitoral do país e, sem apresentar provas, acusa a China de ter interferido no pleito de 2020, quando ele foi derrotado pelo democrata Joe Biden.

Trump acusou Pequim pelo que chamou de “a maior violação de dados eleitorais da história” e afirmou que o país teria obtido, de forma ilegal, informações de cerca de 220 milhões de eleitores americanos. O republicano também pediu que o FBI abra uma investigação sobre o caso.

“Os EUA estão de volta e indo muito bem, mas ainda temos desafios que precisam ser resolvidos porque nenhum país pode ser correto sem eleições justas”, disse ele. Sem apresentar quaisquer evidências, voltou a dizer que o sistema eleitoral americano é vulnerável e que pode ser “fraudado e roubado”.

Casa Branca divulga documentos sobre integridade eleitoral

O presidente afirmou que suas declarações estão respaldadas em documentos que foram divulgados no site da Casa Branca durante a exibição do pronunciamento.

A página reúne arquivos que, segundo a Casa Branca, tratam de “áreas-chave da integridade eleitoral” nos EUA. O material está dividido em quatro temas: supostas vulnerabilidades dos sistemas de votação, exploração de dados eleitorais pela China, uma investigação sobre registros de eleitores no estado de Michigan e a presença de “não cidadãos” americanos em cadastros eleitorais.

Na seção dedicada aos sistemas de votação, o governo diz publicar documentos que revelariam “uma ameaça cibernética direcionada ao próprio cerne da democracia americana”. Nem os textos publicados nem o discurso de Trump, porém, apresentam evidências de que votos tenham sido alterados ou manipulados em eleições nos EUA.

Em paralelo, o material sustenta que a eleição presidencial de 2020 na Venezuela foi fraudada. Já na área dedicada à China, o governo afirma que o país obteve de forma ilegal informações de milhões de eleitores americanos.

O site classifica o episódio de um “pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral”. A pasta sobre o tema reúne 22 documentos, entre eles trocas de emails e relatórios da CIA contendo informações sensíveis, além de diversos trechos e nomes ocultados.

Promessas para reforçar a segurança das eleições

Trump afirmou que pretende adotar medidas para reforçar a segurança das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Segundo ele, o governo federal ajudará autoridades locais a fortalecer seus sistemas eleitorais.

A promessa, entretanto, contrasta com ações recentes de seu próprio governo. Nos últimos meses, o governo esvaziou a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura, órgão federal responsável por auxiliar os estados na proteção de suas eleições contra ataques cibernéticos e tentativas de interferência.

O governo Trump também desmontou, na prática, a Comissão de Assistência Eleitoral, órgão independente e bipartidário que atuava como braço federal de apoio à organização das eleições –cuja condução cabe aos estados, conforme estabelece a Constituição americana. O presidente demitiu os três últimos integrantes da comissão, eliminando a capacidade operacional do órgão.

Pressão sobre o Congresso e críticas à imprensa

Trump aproveitou o pronunciamento para renovar a pressão sobre o Congresso em favor da aprovação da Save America Act. Entre outras medidas, o projeto exige a apresentação de documento de identificação para votar e comprovação de cidadania americana para o registro eleitoral. Críticos da proposta dizem que restrições desse tipo podem dificultar a participação de minorias e outros grupos de eleitores no pleito.

Segundo o presidente, não haveria razão para que os parlamentares rejeitassem a proposta “a não ser que queiram roubar”.

Trump afirmou que a divulgação das supostas irregularidades não tem como objetivo minar a confiança no sistema eleitoral, mas justamente fortalecê-la. Segundo ele, a iniciativa busca “conquistar essa confiança enfrentando as vulnerabilidades e corrigindo-as muito, muito rapidamente” –algo que, de acordo com o presidente, seu governo já estaria fazendo.

Em mais um momento de tom conspiratório, o republicano também disse que o regime chinês teria tentado identificar jornalistas americanos responsáveis por reportagens críticas à sua gestão e que teria oferecido dinheiro a esses profissionais para que publicassem ainda mais conteúdos negativos sobre ele.

“Eles não se importavam com o que seria dito”, afirmou Trump. O presidente, no entanto, não apresentou evidências para sustentar as acusações nem especificou quais jornalistas ou veículos de comunicação estariam envolvidos.

“O governo chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a eleição seguinte. E a razão pela qual queriam que eu perdesse era porque sabiam que eu conhecia seus métodos, impus bilhões e bilhões de dólares em tarifas contra eles e construí as Forças Armadas mais fortes do mundo”, disse.

Trump ameaçou veículos de comunicação que optaram por não transmitir o discurso ao vivo. De acordo com a Reuters, redes como CNN, NBC e ABC não exibiram o pronunciamento em suas principais plataformas. Durante a fala, o republicano afirmou que as emissoras que se recusaram a transmitir seu discurso deveriam ter suas licenças revogadas.

Imigração e política externa

O presidente também retomou temas frequentes de sua agenda política, fazendo críticas a políticas relacionadas à população trans e à imigração. Trump afirmou ainda que, antes de seu retorno à Casa Branca, os EUA eram alvo de piadas.

“Tínhamos a pior fronteira da história do mundo e agora temos a melhor”, disse, em referência às políticas migratórias de seu governo. Também sem apresentar provas, disse nenhum imigrante em situação irregular entrou no país nos últimos meses.

Ao abordar a política externa, Trump afirmou que a Venezuela está trabalhando em conjunto com os EUA para fornecer “milhões e milhões” de barris de petróleo. Ele também mencionou a guerra envolvendo o Irã, conflito que prometeu encerrar, mas que continua em andamento. Segundo o presidente, porém, os EUA “estão vencendo”. (Isabella Menon/Gabriel Barnabé/FOLHAPRESS)


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