Internacional

China oferece ajuda ao Nepal após tragédia e envia especialistas em DNA e equipamentos

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 10:11 | Atualizado há 1 hora

As operações de resgate continuam em meio a estradas destruídas | Foto:  Sunil Kataria/Reuters
As operações de resgate continuam em meio a estradas destruídas | Foto: Sunil Kataria/Reuters

A China anunciou o envio de uma equipe de especialistas em identificação por DNA ao Nepal para auxiliar na identificação das vítimas dos devastadores deslizamentos de terra e enchentes que atingiram a região na semana passada. A informação foi divulgada nesta terça-feira (1º) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun.

Além dos profissionais especializados, Pequim pretende enviar equipamentos para testes genéticos, drones, sistemas de purificação de água e outros materiais considerados essenciais para as operações de emergência.

A identificação dos mortos se tornou uma das tarefas mais complexas para as autoridades nepalesas. De acordo com informações obtidas pela CNN, alguns corpos permaneceram durante vários dias nos rios, o que prejudicou as condições necessárias para o reconhecimento.

A dimensão da tragédia aumentou nesta terça-feira. Segundo autoridades do Nepal e da China, o número de mortos provocado pelas enchentes repentinas e pelos deslizamentos passou de mil pessoas.

As buscas, entretanto, ainda estão longe de terminar. Mais de 4.400 pessoas permanecem desaparecidas, enquanto equipes de emergência tentam alcançar comunidades isoladas e áreas que tiveram estradas e acessos destruídos pela força da água e dos deslizamentos.

China anuncia envio de especialistas em DNA, drones e equipamentos de emergência | Foto:  PRAKASH MATHEMA /AFP

A tragédia também tem um forte impacto internacional. O Departamento de Turismo do Nepal divulgou uma relação com 583 estrangeiros desaparecidos, envolvendo cidadãos de 38 países, entre eles os Estados Unidos. Do lado chinês da fronteira, autoridades informaram que pelo menos 461 estrangeiros de 23 países estão desaparecidos.

Enquanto os trabalhos de identificação avançam, equipes de resgate enfrentam condições extremamente difíceis para chegar às regiões afetadas.

Na fronteira entre os dois países, socorristas chineses trabalham inclusive durante a noite e sob chuva para reconstruir o trecho final da única estrada que dá acesso à passagem de Gyirong, no Tibete. A via foi destruída por um deslizamento de terra e sua recuperação é considerada fundamental para ampliar o acesso à região.

A reconstrução, porém, tem sido constantemente interrompida pelas condições do terreno. Os trabalhadores atuam em uma área estreita, cercada por encostas consideradas instáveis e próxima a um rio de forte correnteza.

Segundo a emissora estatal CCTV, a velocidade da água chegou a 6 a 7 metros por segundo, até seis vezes acima do nível considerado normal. A força das corredeiras tem dificultado os trabalhos de recuperação da estrada e aumentado os riscos para os próprios socorristas.

Com milhares de pessoas desaparecidas e comunidades ainda isoladas, a chegada de equipamentos especializados deve contribuir para diferentes etapas da resposta à emergência, desde a localização de vítimas até o fornecimento de água potável e o monitoramento das áreas de risco.

O envio de especialistas em DNA também busca acelerar a identificação dos mortos e ajudar famílias que ainda aguardam informações sobre parentes desaparecidos. Ao mesmo tempo, as equipes continuam concentradas na abertura de acessos e na busca por sobreviventes em uma região que permanece vulnerável a novos deslizamentos e inundações.


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