Internacional

Cientista espanhol Mariano Barbacid pode ter descoberto cura para câncer de pâncreas

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 10:47 | Atualizado há 5 meses

Combinação de três medicamentos pode abrir caminho para novas estratégias contra a doença | Foto: Montagem/Reprodução
Combinação de três medicamentos pode abrir caminho para novas estratégias contra a doença | Foto: Montagem/Reprodução

Um estudo recente conduzido na Espanha identificou a erradicação total de tumores de câncer de pâncreas em animais a partir da combinação de três medicamentos, descoberta que pode representar uma mudança significativa na abordagem terapêutica da doença. A pesquisa foi coordenada pelo oncologista e pesquisador Mariano Barbacid, da Fundação Cris Contra el Cáncer — uma das mais relevantes instituições dedicadas à investigação oncológica no país — e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O trabalho concentrou-se no adenocarcinoma ductal pancreático, forma mais frequente desse tipo de câncer.

Considerado um dos principais desafios da oncologia contemporânea, o câncer de pâncreas tem evolução silenciosa nas fases iniciais e comportamento altamente agressivo. Por ser geralmente identificado em estágios mais avançados e apresentar baixa resposta ao tratamento, o resultado reforça a possibilidade de uma nova estratégia, baseada em terapias combinadas e mais planejadas, em vez de intervenções isoladas.

Mariano Barbacid autor do estudo espanhol que apontou eliminação total de tumores pancreáticos em modelos animais | Foto: Reprodução

Bloqueio simultâneo

A estratégia adotada pelos cientistas consiste em interromper, de maneira simultânea, três processos essenciais para a manutenção das células cancerígenas. O primeiro deles é o oncogene KRAS, apontado como o principal impulsionador do câncer de pâncreas. Já os outros dois alvos, as proteínas EGFR e STAT3, estão associados tanto à proliferação das células tumorais quanto à capacidade de resistência aos tratamentos.

Embora esses alvos já fossem conhecidos pela comunidade científica de forma individual, o diferencial do estudo está na ação conjunta. Ao bloquear os três mecanismos simultaneamente, os cientistas registraram a eliminação total dos tumores em diferentes linhagens de camundongos, incluindo os modelos PDX, desenvolvidos a partir de tecidos tumorais coletados de pacientes.

Resultados

Além da alta eficácia, a duração dos efeitos também surpreendeu os pesquisadores. Mesmo após mais de 200 dias do término da terapia, os animais permaneceram sem sinais da doença. Outro aspecto relevante foi a ausência de efeitos adversos significativos, fator determinante no desenvolvimento de tratamentos oncológicos intensivos.

De acordo com Barbacid, o achado representa um avanço experimental importante. Pela primeira vez, uma resposta completa e prolongada contra o câncer de pâncreas foi alcançada em laboratório com baixa toxicidade. Na avaliação do especialista, o resultado reforça que terapias combinadas e planejadas de maneira estratégica podem alterar o prognóstico desse tipo de tumor.

A expectativa

Caso a eficácia seja confirmada em testes com humanos, a combinação poderá marcar uma nova etapa no combate ao câncer de pâncreas. Não se trata de uma cura imediata, mas de uma mudança de abordagem: atingir simultaneamente múltiplos pontos essenciais do tumor. Para uma doença que, há décadas, progride mais rapidamente do que as opções terapêuticas, o avanço pode representar a virada aguardada pela oncologia.


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