Corpos de vítimas do Titan foram devolvidos como “lama” em caixas pequenas
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de abril de 2026 às 16:29 | Atualizado há 2 meses
Vítimas foram encontradas após buscas no fundo do oceano, com identificação feita por análise de DNA | Foto: Reprodução
Quase três anos após a implosão do submersível Titan, Christine Dawood, viúva de Shahzada Dawood e mãe de Suleman, voltou a falar publicamente sobre a tragédia e revelou detalhes inéditos sobre o que aconteceu após o acidente. Em entrevista ao jornal The Guardian, ela contou que os restos mortais de seus familiares só foram entregues à família nove meses depois.
Segundo Christine, o material recuperado chegou em duas pequenas caixas, semelhantes a caixas de sapato. Devido à intensidade da implosão, não houve preservação dos corpos. Ela relatou que os vestígios foram descritos como uma massa indistinta, resultado da desintegração causada pela pressão extrema nas profundezas do oceano.
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A viúva também afirmou que o processo de identificação foi complexo. Amostras de DNA passaram por análises detalhadas conduzidas pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, já que os fragmentos encontrados estavam misturados. De acordo com ela, as autoridades chegaram a oferecer a possibilidade de envio de material adicional, mas a família optou por receber apenas o que pôde ser identificado com segurança como pertencente ao marido e ao filho.
Christine disse ainda que mantém preservados os espaços que pertenciam aos dois. O quarto de Suleman e o escritório de Shahzada seguem intactos. Na casa, uma maquete do RMS Titanic permanece exposta na cozinha. O modelo foi montado pelo jovem, que tinha 19 anos, e se tornou um símbolo afetivo que ela não pretende retirar.
Ela também relatou o esforço para proteger a filha mais velha da exposição pública associada à tragédia. Segundo Christine, o luto é vivido de forma intensa e cotidiana, com momentos de forte carga emocional. Em alguns dias, ela diz que busca refúgio no quarto do filho para lidar com a perda.
Outro ponto destacado foi um conselho recebido de uma integrante da Guarda Costeira canadense após o acidente. A orientação, segundo ela, foi para não se prender ao passado ou às decisões tomadas antes da tragédia. A fala teve impacto direto, já que Christine inicialmente participaria da expedição, mas cedeu o lugar ao filho, que desejava acompanhar o pai na viagem.
Relembre o caso
Em junho de 2023, o submersível Titan, operado pela OceanGate, partiu em direção aos destroços do Titanic, localizados a cerca de 600 quilômetros da costa do Canadá e a aproximadamente 3.800 metros de profundidade. A comunicação com a embarcação foi perdida cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos após o início da descida, mas o desaparecimento só foi oficialmente comunicado horas depois.
Cinco pessoas estavam a bordo: o empresário britânico Hamish Harding, Shahzada Dawood e seu filho Suleman, o especialista em mergulho Paul-Henri Nargeolet e o CEO da empresa, Stockton Rush.
Os destroços do Titan foram localizados dias depois, próximos à proa do Titanic. Investigações concluídas em agosto de 2025 apontaram que a tragédia poderia ter sido evitada. O relatório identificou falhas graves no projeto, na certificação e na manutenção do submersível, além de apontar problemas estruturais na gestão da empresa e deficiências no sistema de regulação das operações em águas profundas.