EUA acusam Brasil de censura após X mudar algoritmo para as eleições de 2026
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 09:40 | Atualizado há 1 hora
Governo de Donald Trump critica mudança nas recomendações de conteúdos eleitorais no Brasil | Foto: Sarah Meyssonnier/POOL/AFP
Uma integrante do governo de Donald Trump acusou o Brasil de censura após o X alterar o sistema de recomendações da plataforma para as eleições de 2026. Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para a Diplomacia Pública e Assuntos Públicos dos Estados Unidos, criticou no último domingo (16) a decisão da rede social de limitar a exibição automática de conteúdos de candidatos brasileiros.
A manifestação ocorreu dois dias depois de o X anunciar a criação do “Brazil2026ElectionFilter”, um filtro específico para o período eleitoral brasileiro. A ferramenta foi incorporada à aba “Para Você”, que utiliza algoritmos para selecionar publicações e apresentá-las aos usuários mesmo quando eles não seguem os respectivos perfis.
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Com a nova configuração, conteúdos de candidatos que não sejam seguidos pelo usuário deixarão de ser sugeridos nessa área durante o período eleitoral. A regra altera o alcance das publicações, mas não impede que os candidatos continuem utilizando a plataforma.
Rogers afirmou que a medida representa “a censura imposta pelo Brasil”. A declaração ocorre em meio a uma sequência de atritos entre os governos brasileiro e americano. A subsecretária atua no Departamento de Estado dos EUA, chefiado pelo secretário Marco Rubio.
Mudança foi atribuída a determinação do TSE
O X afirmou que a alteração não partiu de uma decisão interna sobre quais candidatos devem ter maior ou menor exposição. Segundo a plataforma, o novo funcionamento foi adotado para cumprir uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionada ao uso de sistemas de recomendação durante as eleições.
Pelas regras mencionadas pela empresa, provedores que utilizam mecanismos de recomendação devem impedir que contas oficiais de candidatos e suas publicações sejam incluídas automaticamente nas sugestões durante o período eleitoral para usuários que não acompanham esses perfis.
Isso significa que os candidatos continuarão com suas contas disponíveis e poderão publicar normalmente. O conteúdo também poderá ser acessado por quem visitar diretamente os perfis ou optar por segui-los.
A própria plataforma reconheceu que a mudança terá impacto na distribuição das publicações. Com menos recomendações automáticas, os conteúdos dos candidatos podem alcançar um público menor.
O X, entretanto, afirmou que a medida não configura uma sanção e não representa uma mudança nas regras gerais da rede social. A empresa também declarou que pretende estabelecer um padrão maior de transparência sobre o funcionamento de seus algoritmos.
Histórico de suspensão no Brasil
A nova discussão envolvendo a plataforma ocorre menos de dois anos após o X ter sido suspenso no país. Em 30 de agosto de 2024, a rede social deixou de funcionar no Brasil após descumprir uma série de ordens judiciais.
A suspensão durou 39 dias. O X voltou a operar no território brasileiro depois de se comprometer a cumprir as determinações da Justiça e adotar as medidas exigidas para a retomada do serviço.