Internacional

Euro terá cédulas redesenhadas com figuras históricas ou aves

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 15:07 | Atualizado há 48 minutos

Consulta pública do Banco Central Europeu vai definir o novo visual das cédulas do euro, com opções inspiradas em figuras históricas e na biodiversidade | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Consulta pública do Banco Central Europeu vai definir o novo visual das cédulas do euro, com opções inspiradas em figuras históricas e na biodiversidade | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Talvez soe familiar a olhos brasileiros notas com figuras históricas ou passarinhos. Pois será com um ou com outro que o jovem euro se vestirá até o fim deste ano, na primeira mudança de design do papel-moeda da União Europeia.

Moeda estável e prestes a ganhar uma versão digital, o euro completará 25 anos de circulação física em 2027. Nesse meio tempo, a única mudança nas cédulas foi um facelift em 2013.

Enquete promovida pelo Banco Central Europeu (BCE) está no ar desde a semana passada, pedindo que a população expresse suas preferências entre dez desenhos finalistas. As opções apresentadas materializam o resultado de uma ampla pesquisa de opinião conduzida nos 21 dos 27 países do bloco que adotam a moeda comum.

Entre mais de 1.200 sugestões, a consulta popular fez prevalecer motivos tradicionais para o gênero: de um lado personalidades que refletem a cultura europeia e a busca pelo conhecimento; do outro, a preocupação ambiental, refletida na biodiversidade do continente.

Personalidades históricas e biodiversidade estão entre as opções

Em diferentes formatos estão lá a soprano Maria Callas (EUR 5), o compositor Ludwig van Beethoven (EUR 10), a cientista Marie Curie (EUR 20), o escritor Miguel de Cervantes (EUR 50), o quase tudo Leonardo da Vinci (EUR 100) e Bertha von Suttner (EUR 200), a primeira mulher a receber o Nobel da Paz.

Os versos das notas trazem referências às áreas de cada personagem histórico, enquanto na família de passarinhos a composição é feita com prédios que simbolizam as instituições europeias, uma mistura peculiar, que, para muitos, soa como falta de ideia.

Das dez famílias finalistas, três apresentam desenhos verticais, “o novo formato de tudo”, segundo análise publicada pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung. O jornal econômico alemão lembra dos cartões de crédito que já adotam tal visual e especula se a tendência não é uma imposição da geometria limitada dos smartphones.

Para o também alemão Die Zeit, a enquete do ECB é mais um exemplo de pesquisa manipulada, em que a oferta de opções já determina o resultado. Escolher de verdade seria discutir se Mozart não deveria vir antes de Beethoven, argumenta o crítico do semanário.

Já a revista The Economist escolheu sua família preferida entre as inúmeras postagens que o assunto provoca nas redes sociais: os premiês britânicos desde o Brexit.

Há quem faça piada com cenas cotidianas europeias: barreiras abandonadas na fronteira, a tampa que não se solta do gargalo da garrafa de plástico e o aviso de “volto em setembro”, placa pendurada em boa parte das portas do comércio no continente durante o verão.

Uma postagem polêmica foi feita pelo ministério da Defesa de Luxemburgo, que provocou o público com uma família de cédulas ilustradas com blindados e armamentos. Uma reflexão forçada para o continente que, acossado pela guerra da Ucrânia e pelo mais inconfiável presidente americano da história, experimenta neste momento uma corrida armamentista.

Redesenho busca reforçar identidade da moeda

Além dos motivos técnicos, como coibir falsificações e facilitar a utilização, o BCE lista entre as necessidades de mudança do euro “reforçar o vínculo dos europeus com a sua moeda”.

“Após 20 anos, chegou o momento de rever o desenho das nossas notas, de modo a terem um maior significado para europeus de todas as idades e origens”, afirma a presidente da instituição, Christine Lagarde, na apresentação da enquete.

Curiosamente, o desenho atual do euro já é carregado de significados, em uma linguagem que provavelmente passa batido pela maioria das pessoas que usam as notas no dia a dia.

Todas apresentam uma janela ou uma porta em uma das faces, símbolos do “espírito europeu de abertura e cooperação”, segundo o BCE, e no verso pontes, que representam “a comunicação entre os povos da Europa e o resto do mundo”.

Foi evitado o desenho de estruturas existentes, que provavelmente gerariam disputa entre os países-membros diferentemente das moedas, que trazem motivos locais, as cédulas são padronizadas em todo o bloco.

A representação dos ideais europeus, tão desgastados nos dias atuais, curiosamente sobreviverá à troca das notas, que levará anos. Uma cidade na Holanda, Spijkenisse, reivindicou para si a tarefa de tornar os desenhos realidade. Em 2013, ergueu em um condomínio sete pontes que reproduzem à perfeição os desenhos dos euros atuais.

A ver se resistirão mais do que sua inspiração. (José Henrique Mariante/FOLHAPRESS


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