Internacional

França e Espanha intensificam combate a incêndios antes de nova onda de calor

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 28 de julho de 2026 às 10:32 | Atualizado há 53 minutos

Bombeiros atuam no combate aos incêndios florestais na França e na Espanha antes da chegada de uma nova onda de calor | Foto: UME/AFP
Bombeiros atuam no combate aos incêndios florestais na França e na Espanha antes da chegada de uma nova onda de calor | Foto: UME/AFP

Bombeiros correm contra o tempo nesta terça-feira (28) para conter os incêndios florestais que já levaram ao deslocamento de dezenas de milhares de pessoas na França e na Espanha. Eles tentam aproveitar as condições climáticas mais favoráveis antes de uma nova onda de calor, cujo início é previsto para esta quarta (29).

Após vários dias de angústia, autoridades dos dois países expressaram algum otimismo nas últimas horas. As duas nações somam mais de 120 mil hectares queimados, centenas de casas destruídas e milhares de moradores e turistas desalojados.

Na França, os bombeiros conseguiram conter durante a madrugada o incêndio florestal que já destruiu em torno de 42 mil hectares na região de Bordeaux.

Na Espanha, moradores de 9 das 11 cidades da província central de Toledo foram autorizados a retornar para casa. No entanto, ainda há focos de incêndio na região de Madri e nas províncias de Ávila, Toledo e Castellón.

Autoridades mantêm alerta para horas decisivas

“Hoje podemos ficar um pouco mais tranquilos, mas estamos em horas críticas. Falamos de um momento fundamental em que é necessário trabalhar para antecipar a chegada de uma nova onda de calor”, afirmou nesta terça o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska.

Na avaliação do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, o país começa a ver uma luz no fim do túnel, mas ainda restam horas complexas pela frente.

“A situação com a qual estamos lidando hoje é a mais grave que já registramos, a mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial”, disse o presidente da França, Emmanuel Macron.

“Estamos diante de um incêndio florestal completamente sem precedentes”, disse ele às equipes de emergência em Bordeaux na noite desta segunda-feira (27).

Os incêndios florestais na França já queimaram uma área maior do que no mesmo período de qualquer ano desde 2006.

Desde janeiro, o país acumula 92 mil hectares queimados, um recorde em 20 anos, segundo o sistema europeu EFFIS. Na Espanha, são 207 mil hectares desde o início do ano, muito perto do máximo histórico.

A Europa, o continente que mais rapidamente se aquece no mundo, tem registrado ondas de calor recordes neste ano. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelo ser humano estão intensificando o calor e a seca, o que permite que os incêndios florestais se espalhem mais rapidamente, durem mais tempo e se tornem mais destrutivos.

Nova onda de calor preocupa equipes de combate

Apesar do avanço nos esforços de combate ao incêndio, a situação continuava difícil, segundo Nathalie Delattre, senadora pela Gironda, região que abrange a cidade de Bordeaux.

“Tudo vai depender de como os bombeiros no local vão se sair”, disse ela à BFM TV nesta terça-feira.

Acampamentos e residências turísticas em Lacanau, na costa atlântica perto de Bordeaux, estavam sendo esvaziados nesta terça-feira, disse a Prefeitura de Lacanau em sua página no Facebook. Ao todo, 4.000 pessoas tiveram de deixar a área.

Na Espanha, as condições durante a noite em Madri permitiram que as frentes de incêndio ativas fossem combatidas de forma eficaz, ajudando a reduzir a ameaça, embora os focos ainda não estejam sob controle, segundo o governo.

Muitos moradores ainda aguardavam liberação para voltar para seus lares. Em Aldea del Fresno, a 50 km ao oeste de Madri, dezenas de moradores formaram uma fila de carros com a esperança de receber autorização da Guarda Civil para regressar para casa.

“Não deixam passar por causa da fumaça, dizem que há muita e que nem com máscara dá para respirar”, disse a empregada doméstica Galia Borisova, 55, que se viu obrigada a deixar seus animais para trás.

Entre aqueles que puderem voltar, alguns se depararam com estruturas reduzidas a cinzas. “Perdemos tudo”, afirmou à AFP María Ángeles Cañete, 54. Ao lado do marido, ela era proprietária do camping Pantano del Burguillo, em Ávila, e de um outro nas proximidades. “Não temos nada.”

O Reuters Climate Monitor indica que a temperatura em Bordeaux deve atingir 33°C nesta terça, 7,1°C acima da média diária entre 1961 e 1990. Em Madri, a previsão era de 37°C, um valor 5,5°C acima da média.


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