Ex-primeira-ministra de Bangladesh é condenada à morte por crimes contra a humanidade
Léo Carvalho
Publicado em 17 de novembro de 2025 às 08:46 | Atualizado há 7 meses
Hasina nega as acusações. Segundo ela, o tribunal é “politicamente motivado” | Foto: AFP
A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, foi condenada à pena de morte pela corte internacional de crimes do país, que a considerou responsável por atrocidades contra a humanidade cometidos durante a repressão aos protestos estudantis de julho e agosto de 2024. O período foi marcado por confrontos violentos e um saldo estimado de até 1.400 mortos em todo o território, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU).
O julgamento ocorreu sem a presença da ex-premiê, já que Hasina vive exilada na Índia desde sua deposição, em agosto de 2024. A promotoria afirmou que ela comandou “um ataque amplo, coordenado e sistemático” contra manifestantes, autorizando o uso de armas letais, drones e helicópteros para dispersar as mobilizações.
Crimes
A sentença inclui cinco acusações formais: incitação à violência, conspiração, cumplicidade, responsabilidade por assassinatos e falha em impedir ações consideradas criminosas por forças de segurança sob sua autoridade. O tribunal destacou episódios específicos, como a operação que resultou na morte de manifestantes desarmados em Dhaka, usada como evidência central na condenação.
Além de Hasina, o ex-ministro do Interior Asaduzzaman Khan Kamal também recebeu pena de morte. Já o ex-chefe da polícia Chowdhury Abdullah Al-Mamun, que colaborou com o processo, foi condenado a cinco anos de prisão.
A defesa da ex-premiê afirma que o tribunal age motivado politicamente e nega todas as acusações. Aliados de Hasina denunciam falta de garantias processuais e contestam a imparcialidade do tribunal. Mesmo assim, o governo interino de Bangladesh defende que o julgamento seguiu normas legais e apresenta o resultado como um passo para responsabilizar autoridades por abusos cometidos durante o período de crise.