Internacional

Geopolítica impulsiona Europa rumo a energias limpas em meio a tensões externas

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 09:43 | Atualizado há 3 meses

Projetos eólicos e novas infraestruturas fazem parte do plano para ampliar a autonomia energética do bloco | Foto: Reprodução
Projetos eólicos e novas infraestruturas fazem parte do plano para ampliar a autonomia energética do bloco | Foto: Reprodução

A instabilidade no cenário internacional tem levado a União Europeia a acelerar sua transição energética. Mais do que metas ambientais, a mudança de rumo ganhou caráter estratégico após crises recentes evidenciarem a vulnerabilidade do continente na dependência de combustíveis fósseis importados.

Em 2025, o bloco atingiu um marco simbólico ao produzir mais eletricidade a partir de fontes renováveis do que de carvão. O avanço ocorre em meio a transformações estruturais no setor energético e à necessidade de reforçar a segurança do abastecimento.

Impacto da guerra

A guerra entre Rússia e Ucrânia foi um dos principais catalisadores desse movimento. O conflito expôs a forte dependência europeia do gás russo e forçou governos a adotarem medidas emergenciais para diversificar fornecedores e acelerar investimentos em alternativas limpas.

O plano europeu prevê encerrar gradualmente as importações de energia da Rússia até 2027. Ao mesmo tempo, o bloco enfrenta concorrência global de potências como China e Estados Unidos, que também disputam liderança no mercado de tecnologias renováveis.

Dados recentes indicam que, em 2024, quase metade da matriz elétrica europeia já era composta por fontes renováveis. Países como a Áustria alcançaram índices superiores a 90% de geração limpa. Apesar disso, divergências internas ainda marcam o ritmo da transição, incluindo debates sobre prazos para substituição de motores a combustão.

Conflito entre Rússia e Ucrânia intensificou esforço europeu para reduzir dependência energética externa | Foto: Reprodução

Projetos estratégicos e desafios técnicos

Para consolidar a mudança, dez países europeus anunciaram iniciativas conjuntas voltadas à criação de grandes reservas de energia renovável, com destaque para parques eólicos e novas redes de transmissão submarinas previstas até 2040.

Mesmo com o avanço, desafios persistem. A ampliação da capacidade de armazenamento e a integração das diferentes fontes à rede elétrica continuam sendo obstáculos técnicos relevantes, cenário semelhante ao observado em países como o Brasil.

A reorganização da política energética europeia reflete, portanto, não apenas compromissos climáticos, mas uma estratégia de posicionamento geopolítico diante de um ambiente internacional cada vez mais instável.


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