Nova investigação dos EUA pode elevar tarifas sobre produtos brasileiros para até 37,5%
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 16 de julho de 2026 às 13:55 | Atualizado há 1 hora
O governo de Donald Trump avalia medidas que podem aumentar a taxação sobre exportações brasileiras | Foto: SAUL LOEB/AFP
Enquanto negocia as tarifas já anunciadas por Washington, o governo brasileiro também monitora outra frente que pode ampliar as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. O país aguarda a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que analisa as políticas adotadas por diversos parceiros comerciais no combate ao trabalho forçado.
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A investigação foi instaurada em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e envolve mais de 60 países, entre eles o Brasil. O objetivo é verificar se essas nações possuem mecanismos legais considerados suficientes pelo governo norte-americano para impedir a produção e a comercialização de mercadorias ligadas ao trabalho forçado.
Pelas regras propostas pelo USTR, os países que já proíbem a importação de produtos obtidos por meio de trabalho forçado ou que assumiram esse compromisso em acordos comerciais com os Estados Unidos poderão ser enquadrados em uma tarifa de 10%. Já as nações que, na avaliação do órgão, não dispõem de instrumentos equivalentes poderão sofrer uma taxação de 12,5%, caso do Brasil.
Planalto trabalha com possibilidade de nova cobrança
Nos bastidores, integrantes do governo federal avaliam que a aplicação da tarifa de 12,5% tem grandes chances de ser confirmada. A expectativa é que a medida seja anunciada sem uma relação de produtos isentos, diferentemente do modelo adotado na nova rodada de tarifas divulgada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (15).
Se entrar em vigor, a nova cobrança será acumulada às tarifas já impostas aos produtos brasileiros, fazendo com que alguns segmentos industriais passem a enfrentar uma carga tarifária de até 37,5% para acessar o mercado norte-americano.
A equipe econômica também considera que a nova alíquota poderá substituir a tarifa global de 10% anunciada anteriormente pelo presidente Donald Trump. Essa cobrança temporária permanece válida até 24 de julho, prazo em que o USTR deve concluir a investigação e divulgar sua decisão sobre a adoção das novas tarifas.