Revista alemã critica clã Bolsonaro e diz que Trump parece pequeno perto da família
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 09:02 | Atualizado há 55 minutos
Família Bolsonaro reúne oito integrantes em disputas eleitorais nas eleições de 2026 | Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images
A família Bolsonaro virou alvo de uma análise da revista alemã Der Stern às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. A publicação voltou a atenção para a quantidade de integrantes do grupo familiar que ocupam ou disputam cargos políticos e usou a família Trump como parâmetro para dimensionar o fenômeno brasileiro.
A reportagem foi publicada com o título “Os Trumps parecem uma família boazinha do subúrbio perto do clã Bolsonaro”. No texto, a revista afirma que a concentração de parentes de Jair Bolsonaro na política não encontra equivalente entre outras famílias políticas analisadas internacionalmente.
O levantamento citado pela Stern aponta 18 candidatos que levam o sobrenome Bolsonaro nas eleições deste ano. Oito deles têm vínculo familiar com o ex-presidente. Entre os nomes estão Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência; Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, candidatos ao Senado; Jair Renan Bolsonaro, que concorre a deputado federal; e Renato Bolsonaro, irmão de Jair, que busca uma cadeira na Câmara.
Os outros dez candidatos mencionados pela publicação não possuem parentesco com o ex-presidente. Para a revista, a utilização do sobrenome pode funcionar como uma forma de aumentar a exposição eleitoral.
Bolsonaro em comparação com Bush e Le Pen
A quantidade de parentes envolvidos simultaneamente em uma eleição é um dos principais pontos explorados pela reportagem. A Der Stern coloca os Bolsonaro ao lado de famílias políticas conhecidas internacionalmente, como os Bush, nos Estados Unidos, e os Le Pen, na França.
A socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília, foi ouvida pela revista. Segundo a análise apresentada na reportagem, famílias políticas como essas também possuem influência eleitoral, mas em escala menor e mais regionalizada. A possibilidade de oito integrantes de uma mesma família disputarem uma eleição ao mesmo tempo é apresentada como um caso que poderia ser excepcional no cenário mundial.
A publicação também chama atenção para o fato de que praticamente todos os filhos homens de Jair Bolsonaro seguiram carreira política. Laura Bolsonaro, de 15 anos, é apontada como a única filha do núcleo familiar imediato que não participa da política.
Outro aspecto levantado pela revista é a própria relação entre poder político e dinheiro. A Stern afirma que a atividade política no Brasil pode ser financeiramente vantajosa e relaciona essa característica aos salários e aos recursos movimentados durante os mandatos. A publicação ainda reproduz a frase de que “todos os políticos são ladrões” como parte de sua análise sobre a percepção da política brasileira.
Flávio assume papel central na sucessão
A escolha de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência também recebe atenção especial. A revista o coloca como sucessor político do pai e compara sua trajetória com a de nomes da direita internacional, entre eles Donald Trump e Javier Milei.
A Stern questiona, porém, a apresentação de Flávio como um candidato antissistema. Na avaliação publicada pela revista, o senador estaria ligado ao próprio establishment político por sua trajetória familiar e eleitoral. A reportagem contrapõe ainda a carreira dele à de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando as origens profissionais distintas dos dois candidatos à Presidência.
A sucessão dentro da própria família também é discutida. A publicação afirma que Michelle Bolsonaro chegou a ser considerada uma alternativa eleitoral relevante, mas acabou ficando atrás de Flávio na preferência do grupo familiar. A revista atribui essa escolha, entre outros fatores, à postura que classifica como sexista dentro da família Bolsonaro. Essa é uma interpretação apresentada pela própria publicação alemã.
A reportagem ainda recupera o histórico judicial de integrantes do grupo. Jair Bolsonaro é citado por causa da condenação por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e da prisão domiciliar que cumpre atualmente. Flávio aparece associado a investigações e suspeitas mencionadas pela revista, incluindo possíveis relações com organizações criminosas. Essas referências são apresentadas no texto como suspeitas e investigações, e não devem ser confundidas com condenações definitivas.
Eduardo Bolsonaro também é mencionado. A Stern cita sua condenação e a perda do mandato de deputado federal, além de abordar sua permanência nos Estados Unidos e os contatos mantidos com aliados de Donald Trump.
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