Temperatura global deve passar de 1,5°C nos próximos anos, alerta relatório da ONU
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:51 | Atualizado há 53 minutos
Ondas de calor e incêndios estão entre os efeitos associados ao aumento da temperatura global | Foto: Xurzon/Getty Images/iStockphoto
A temperatura média do planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C em relação ao período pré-industrial nos próximos anos, mesmo diante dos compromissos climáticos assumidos atualmente pelos governos. O alerta consta em um relatório divulgado nesta quarta-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
De acordo com o documento, em uma projeção considerada otimista, na qual os países conseguem cumprir as promessas de redução de emissões feitas até agora, o aquecimento global pode chegar a 1,8°C acima dos níveis registrados antes da industrialização.
Apesar da perspectiva, o Pnuma avalia que o objetivo estabelecido pelo Acordo de Paris ainda pode ser alcançado. O tratado prevê que o aumento da temperatura global seja mantido bem abaixo de 2°C e que sejam feitos esforços para limitar esse avanço a 1,5°C.
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Para isso, o relatório apresenta a possibilidade de uma trajetória baseada em três movimentos principais: ultrapassar temporariamente o limite, atingir um pico de aquecimento e, posteriormente, reduzir as temperaturas até que o planeta volte a níveis próximos ou inferiores a 1,5°C.
A estratégia dependeria de uma redução imediata e contínua das emissões de gases de efeito estufa. Entre as substâncias que precisam ser combatidas está o metano, considerado um dos gases responsáveis pelo agravamento do aquecimento global. Outra frente seria retirar parte do carbono já presente na atmosfera e armazená-lo de forma permanente.
O processo poderia envolver o reflorestamento e outras técnicas de remoção e armazenamento de carbono. Para que a estratégia seja viável, entretanto, o relatório aponta que o pico de aquecimento não poderia ultrapassar 1,8°C.
Estratégia prevê quatro etapas
O caminho descrito pelo Pnuma é dividido em quatro fases. A primeira é a excedência, período em que a temperatura média global passa de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, mas ainda não chegou ao ponto máximo de aquecimento.
Em seguida vem o planalto, etapa em que o aquecimento alcança seu maior patamar e permanece relativamente estável durante determinado período. É nessa fase que ocorre o chamado pico de aquecimento, antes de uma eventual queda das temperaturas.
A terceira fase é o declínio, quando a temperatura média global começa a recuar a partir do nível máximo alcançado. Por fim, ocorre a estabilização, momento em que o aquecimento retorna a 1,5°C ou fica abaixo desse limite, estabelecendo uma condição de relativa estabilidade após o período de alta e reversão.
Segundo o Pnuma, quanto maior for o pico alcançado durante esse processo, mais difíceis serão os impactos e a recuperação. Por isso, para que seja possível retornar ao limite de 1,5°C, o aquecimento máximo precisaria ficar em até 1,8°C.
Ondas de calor e incêndios acendem alerta
O relatório também chama atenção para os sinais que já podem ser observados em diferentes partes do mundo. Ondas de calor cada vez mais intensas e incêndios florestais são apontados como exemplos dos efeitos associados ao avanço das temperaturas.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu que qualquer período acima de 1,5°C seja o mais curto e menos intenso possível. Para ele, isso exigirá que os países aumentem ainda mais o nível de ambição das medidas de enfrentamento à crise climática.
A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, também ressaltou que ultrapassar o limite traz consequências significativas. Segundo ela, as ondas de calor extremas já demonstram que os efeitos das mudanças climáticas podem ocorrer de maneira mais rápida, severa e prolongada, com impactos sobre vidas e sobre o funcionamento das sociedades.
Entre as consequências previstas com o aquecimento acima de 1,5°C estão a intensificação de eventos climáticos extremos, a destruição de ecossistemas e o risco de submersão de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e de cidades costeiras localizadas em áreas de baixa altitude.
Os efeitos também podem atingir diretamente a saúde da população, a produção e a segurança alimentar, o abastecimento de água, a biodiversidade, as cidades, a infraestrutura e as atividades econômicas.