Internacional

Trump celebra acordo com Irã e diz que negociação foi uma das mais difíceis de seu governo

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 18 de junho de 2026 às 08:58 | Atualizado há 1 hora

Acordo prevê reabertura do Estreito de Ormuz, redução gradual de sanções e negociações para um tratado definitivo | Foto: MANDEL NGAN / AFP
Acordo prevê reabertura do Estreito de Ormuz, redução gradual de sanções e negociações para um tratado definitivo | Foto: MANDEL NGAN / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como complexas as negociações que resultaram no novo memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã. A declaração foi feita na noite de quarta-feira (17), durante um evento realizado no Palácio de Versalhes, na França, com a presença do presidente francês Emmanuel Macron.

Após a assinatura do documento, Trump afirmou que o processo exigiu intensas tratativas diplomáticas. Já Macron destacou que o plano pode representar um passo importante para a estabilidade regional e para a redução das pressões sobre o mercado global de energia.

O acordo também recebeu apoio do governo chinês. Em conversa com o chanceler iraniano Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, avaliou o entendimento como um avanço significativo rumo à pacificação e ressaltou a importância de garantir o cumprimento dos compromissos assumidos pelas partes.

Entre os pontos considerados estratégicos está a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor marítimo fundamental para o transporte internacional de petróleo e gás natural. Para Pequim, a medida reduz riscos ao abastecimento energético e fortalece a segurança das cadeias globais de fornecimento.

Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã foram difíceis após a assinatura do novo memorando de entendimento | Foto: Reprodução

Segundo autoridades iranianas e paquistanesas, o memorando entrou em vigor imediatamente após ser assinado por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, informou que o documento estabelece como ações iniciais a retomada da navegação no Estreito de Ormuz e o início da retirada gradual das restrições marítimas impostas pelos Estados Unidos.

Sharif também afirmou que Paquistão e Catar participarão da próxima etapa do processo como mediadores das negociações técnicas previstas para as próximas semanas.

O texto estabelece uma série de compromissos, incluindo o encerramento imediato das hostilidades entre os envolvidos, respeito à soberania dos países, suspensão progressiva das sanções contra o Irã, autorização para exportações de petróleo iraniano, desbloqueio de ativos financeiros e compromisso de Teerã em não desenvolver armas nucleares.

O memorando ainda prevê um programa de reconstrução econômica para o Irã, mecanismos de fiscalização internacional e a elaboração de um acordo definitivo, que deverá ser negociado ao longo dos próximos 60 dias e posteriormente submetido à análise do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar da repercussão positiva em parte da comunidade internacional, o entendimento enfrenta resistência dentro dos Estados Unidos. Parlamentares democratas criticaram as concessões oferecidas ao governo iraniano, enquanto integrantes do Partido Republicano demonstraram posições divergentes sobre os impactos estratégicos do acordo.

Representantes de ambos os países ressaltam que o documento marca apenas o início de um processo diplomático mais amplo, que dependerá do avanço das negociações e do cumprimento das medidas previstas para consolidar um acordo permanente.


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