Internacional

Trump convida líderes latino-americanos na Flórida, mas deixa Lula de fora

Léo Carvalho

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 16:43 | Atualizado há 5 meses

Trump anuncia encontro com presidentes latino-americanos na Flórida enquanto governo brasileiro aguarda reunião bilateral em março | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Trump anuncia encontro com presidentes latino-americanos na Flórida enquanto governo brasileiro aguarda reunião bilateral em março | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai reunir líderes da América Latina em um evento previsto para o dia 7 de março, em Doral, perto de Miami, na Flórida.

A Folha apurou que 13 líderes devem ser convidados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está incluído na lista. Trump deve reunir apenas presidentes alinhados politicamente com suas pautas, como o argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele.

O encontro acontece em Doral, cidade conhecida como “Doralzuela” pela alta concentração de venezuelanos. O local apoiou o retorno de Trump ao Salão Oval em 2024, quando o republicano venceu Kamala Harris nas eleições.

O evento será realizado no Trump National Doral, resort do presidente localizado próximo ao aeroporto de Miami. O local já foi apontado por Trump como possível sede para receber líderes mundiais durante o G20, previsto para o fim do ano.

Apesar de o convite não ter sido estendido ao Brasil, ainda é esperada uma reunião entre Lula e Trump em março, em data a ser definida. O presidente brasileiro tem afirmado que pretende priorizar a pauta de combate ao crime organizado.

Repressão ao tráfico

Em dezembro do ano passado, Lula encaminhou ao Departamento de Estado dos Estados Unidos uma proposta de fortalecimento da cooperação no tema. O documento manifestou interesse em ampliar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras.

Em ligação entre os líderes, a proposta foi relembrada. Na última semana, Lula reiterou o interesse na cooperação durante viagem à Índia. O presidente prevê a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além de representantes da Receita Federal e da Polícia Federal.

“Qualquer coisa que puder colocar uns magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar. E esses magnatas não moram na favela, não moram no térreo, eles moram em cobertura, moram nos bairros mais chiques do Brasil e nos bairros mais chiques dos EUA”, declarou o presidente.

Além da segurança pública, questões tarifárias devem integrar as conversas. Após a derrubada da taxação pela Suprema Corte na última sexta-feira, Trump anunciou tarifa global de 15%. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a medida pode beneficiar o Brasil e tornar o país mais competitivo.

Tarifação global de 15%

“Foi uma medida positiva, eu acho que reforça o encontro do presidente Lula com o presidente Trump agora em março”, disse Alckmin, em evento em Aparecida, no interior de São Paulo, neste domingo, dia 22.

O governo americano informou que seguirá investigando países com base na Seção 301, dispositivo que permite impor tarifas por supostas práticas comerciais ilegais após investigação. O Brasil é alvo do procedimento desde o ano passado. Um dos pontos sob análise é o Pix.

“Isso preocupa, a chamada Seção 301, mas será esclarecido. O Pix é um exemplo para o mundo de uma medida altamente benéfica para a população, sem custo, com garantia e segurança. Outras questões abordadas também serão esclarecidas. Isso já aconteceu no passado, e o Brasil prestou os devidos esclarecimentos”, afirmou o vice-presidente. (Isabella Menon/Folhapress)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia