Trump diz que não há negociações com Irã, enquanto tensão no Estreito de Ormuz persiste
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 09:35 | Atualizado há 1 hora
Trump afirma que não há novas negociações com o Irã | Foto: Alex Brandon/Pool/EFE
As tentativas de reduzir a tensão entre Estados Unidos e Irã permanecem travadas. Nesta terça-feira (18), o presidente americano, Donald Trump, afirmou que não existem negociações em curso com Teerã e que também não há novas reuniões diplomáticas previstas.
Trump ainda declarou que o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos continua funcionando. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto e operacional e disse que as minas marítimas existentes na região foram removidas ou detonadas.
A declaração ocorre em um momento de forte incerteza sobre o futuro das rotas marítimas estratégicas do Oriente Médio. O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens para o transporte mundial de petróleo e gás e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

Irã acusa Washington de exigir concessões
Enquanto Trump sinaliza a ausência de diálogo, Teerã acusa o governo americano de aumentar deliberadamente a pressão para obter vantagens nas negociações.
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e uma das principais figuras envolvidas nas tratativas, afirmou que Washington estaria tentando obrigar o Irã a aceitar condições que não estavam previstas nos entendimentos anteriores.
O parlamentar também fez críticas duras aos secretários americanos Scott Bessent, do Tesouro, e Pete Hegseth, da Defesa. Segundo Ghalibaf, os dois estariam ultrapassando seus limites ao defender novas medidas de pressão contra o governo iraniano.
A troca de acusações ocorre depois de Bessent afirmar, na semana passada, que os Estados Unidos poderiam adotar medidas contra Teerã em uma escala ainda não vista. Trump também vem defendendo o aumento da pressão econômica sobre o país.
Catar tenta abrir caminho para a diplomacia
Diante do impasse entre Washington e Teerã, o Catar aposta em uma possível negociação entre Irã e Omã como uma alternativa para destravar a situação no Estreito de Ormuz.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catariano, Majed al-Ansari, afirmou que um eventual entendimento entre os dois países poderia facilitar a retomada do diálogo entre americanos e iranianos.
Doha também informou que segue disponível para receber uma delegação iraniana. O governo catariano, porém, afirmou que ainda não recebeu uma resposta de Teerã sobre o convite.
Movimento de navios segue abaixo do normal
A crise também tem reflexos no transporte marítimo. O tráfego comercial pelos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb continua significativamente inferior aos níveis registrados antes da guerra.
Dados da MarineTraffic apontam que, nas últimas 24 horas, pelo menos sete embarcações comerciais atravessaram o Estreito de Ormuz. Cinco seguiram para o Golfo Pérsico e duas fizeram o trajeto contrário, em direção ao Golfo de Omã.
No Estreito de Bab el-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden, o movimento foi maior: aproximadamente 40 navios comerciais passaram pela região no mesmo período.
Antes do conflito, a média era de aproximadamente 110 embarcações por dia apenas em Ormuz, mostrando o impacto da insegurança sobre uma das principais rotas de comércio e energia do planeta.
Interferência de GPS preocupa embarcações
Além da redução no fluxo, empresas de navegação enfrentam problemas provocados pela interferência e falsificação de sinais de GPS na região.
O chamado “spoofing” altera as coordenadas transmitidas pelos sistemas de navegação e pode fazer com que uma embarcação apareça eletronicamente em uma localização diferente daquela em que realmente está.
O problema persiste há meses e, em determinados momentos, já provocou diferenças de dezenas de milhas nas posições indicadas pelos sistemas. A situação aumenta a preocupação com a segurança da navegação justamente em uma região que concentra algumas das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
Enquanto Washington mantém a pressão e Teerã rejeita novas exigências, países da região tentam encontrar uma fórmula capaz de reduzir as tensões e preservar o fluxo de embarcações por uma passagem fundamental para o comércio internacional.