Opinião Pública

A democracia venceu

Redação DM

Publicado em 3 de novembro de 2022 às 16:13 | Atualizado há 4 anos

Nos meus quase 90 anos de vida testemunhei os mais diversos quadros políticos brasileiros. A primeira eleição, a de 1945, significou a redemocratização. Tínhamos vivido quinze anos de regime ditatorial. Em 1950 Getúlio Vargas, que havia sido ditador, retorna à presidência da República e quatro anos depois sob pressão de forças antidemocráticas é levado ao suicídio e é sucedido pelo vice Café Filho que acabou se unindo aos inimigos. Em 1955 elege-se presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira que exercera o governo de Minas Gerais por quatro anos. JK governou democraticamente e foi sucedido em 1960 por Jânio Quadros, que após 7 meses de governo renunciou à presidência. Foi sucedido pelo vice-presidente João Goulart cuja posse foi extremamente tumultuada pelos seus opositores, de tal forma que o país teve de adotar o sistema parlamentarista de governo, mas Jango terminou o seu mandato no presidencialismo por força de reconquista dos seus direitos. Em 31 de março de 1964 eclode um movimento militar que culminou com o golpe que alçou o militarismo ao poder até 1985. Tivemos então as presidências de José Sarney (1985 – 1990), Fernando Collor (1990 – 1992), Itamar Franco (1992 – 1995), Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2003), Luiz Inácio Lula da Silva (2003 – 2011), Dilma Rousseff (2011 – 2016), Michel Temer (2016 – 2019), Jair Bolsonaro (2019 – 2023). Todas essas sucessões aconteceram normalmente. Mas esta em que Luiz Inácio Lula da Silva conquista o seu terceiro mandato foi permanentemente cercada de ameaças à normalidade constitucional. O pleito, entretanto, transcorreu normalmente culminando com a vitória de Lula. A tranquilidade em que transcorreu a eleição e reinante após o seu resultado é indicadora de que a democracia venceu.

O pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado é digno de aplausos. O candidato eleito demonstrou extraordinário espírito democrático e admirável lucidez. Todo esse conjunto de circunstâncias atesta o mais desejável clima para se respirar a democracia brasileira em sua plenitude. A favor desta atua também de forma sumamente importante o apoio internacional ao resultado das eleições brasileiras. Todos os países europeus, asiáticos, da América Latina, do globo inteiro manifestam seu apoio ao resultados das urnas brasileiras. Não há portanto o mínimo respaldo a propósitos golpistas.

Todas as entidades de classe representativas do pensamento democrático brasileiro estão unidas pela defesa do respeito à manifestação do povo na eleição do último dia 30. Há uma unidade nacional pela democracia.

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