Espírito natalício
Redação DM
Publicado em 20 de dezembro de 2022 às 15:13 | Atualizado há 4 anosViver o espírito de alegria, sinônimo desta época, é o mais importante. Nada supera a alegria, a não ser o amor. Mas creio que andam ambos de mãos dadas.
Mas como viver o espírito sem medos ou preconceitos? Não é fácil. Num mundo onde tudo, ou quase tudo, se resume a filmes onde tudo é apresentado sem o mínimo defeito, os mais novos tomam isso como uma meta. Devido a esta ideia, não se faz nada, porque pode parecer ridículo. E quem quer passar por ridículo?
Se seguirmos a ideia da perfeição, só quem canta bem pode cantar em público. E os outros? Têm de se esconder?
Esta época nada tem a ver com perfeição. Tem a ver com a vivência espiritual, tem a ver com felicidade. E esta não sai da cabeça ou da garganta, sai (ou não sai!) do coração. E que mal tem cantar a plenos pulmões a alegria de se estar vivo, de se viver mais um Natal em comunidade?
Foi o que aconteceu na minha escola. À questão posta por uma aluna (“Professora, o que vamos fazer no Natal?”), eu, que não tinha nada pensado, refleti sobre o assunto. E porque não assinalar esta quadra através de cânticos natalícios de origem portuguesa? E recuperei alguns, depois de uma pesquisa. (Foi como recuperar a minha infância/adolescência.) Fiz a proposta à turma. Não se mostraram entusiasmados com a ideia. Fiz a proposta aos mais velhos. Alguns aceitaram e os outros remoeram a ideia. Ensaiámos durante três aulas. Três tempos. Nos ensaios, alguns esmeraram-se, outros cantavam dando a impressão de estarem a puxar uma carroça.
Chegado o dia, das duas turmas envolvidas, apenas uma se apresentou e alguns membros da outra. Seguimos o plano. Antes do intervalo grande da manhã, já distribuira folhas com as letras das canções por todo o pessoal que compõe a comunidade escolar — desde as senhoras do bar ao pessoal administrativo, assistentes operacionais de apoio aos corredores…
Juntámo-nos à hora marcada, cantámos o melhor que soubemos e pudemos. Como havia dito no início, aquela não era uma atuação/espetáculo. Era apenas o arranque para o festejo do espírito natalício. E que melhor do que fazê-lo com cânticos portugueses? A certa altura todas as vozes se misturaram. Foi lindo! Só não se divertiu quem não quis.
De longe, os elementos que faltaram e os que renunciaram puderam constatar que o que fazemos não tem de ser perfeito, tem de ter a energia certa.