Feliz ano todo
Redação DM
Publicado em 12 de junho de 2023 às 17:42 | Atualizado há 3 anosDia mundial da paz, renovação inconteste. Novo chama a atenção. Porém quero o todo. Eu que sempre escrevi e saudei o amor, agora coloco em primeiro lugar a paz. Todos a querem. E ela é somente conquistada se vier de forma interior. Centrífuga. Irradiante. Capilar. Serena.
Janeiro seria o deus romano com duas faces, uma olhando para frente e outra para trás. De boa índole, dos princípios, das entradas e saídas. Peço-lhe então que olhe para cima e para baixo. Nos céus habita somente um só e é o futuro. Na terra que pisamos e vamos em frente, está o passado, que não pode ser deixado. Se o caminhar é pacífico, ele flui.
Fevereiro é de uma festa de sacrifício e oferendas. E aqui, na maioria das vezes, o Carnaval. Todos pagãos. Nenhuma crítica. Apenas observação de que em vez de queimar o velho, doe. Sacrifique não o seu dinheiro, mas o seu tempo. Indo como Josias na Praça da Bíblia, levar a ceia devidamente acondicionada e deliciosa. Nada acalma mais o espirito do que a doação verdadeira. Servir é felicidade plena.
Março é para Marte, o deus da guerra, no calendário juliano. Para mim é o aniversário da esposa e do filho. Piscianos convictos. Vivem em seu mundo de nuvens e paz, onde ocasionalmente precipitam em chuva de carinhos e cuidados. Meus exemplos de bom convívio. Ambos conversam com o mais simples serviçal ao governante do momento, com a mesma tranquilidade e atenção. A resposta ao bélico é o exemplo do bem estar. Se sou forte, quem irá enfrentar-me?
Abril. Flores, abrindo. Ou o amor simbolizado por Afrodite. Mas o que importa? Passado o primeiro trimestre, onde o turbilhão do ano vindouro se acomoda, vamos em frente. Acredito no amor. E mais ainda na Paz. Nasceram Leonardo da Vinci, Monteiro Lobato, Manuel Bandeira, Shakespeare e Penélope Cruz que com sua arte e beleza nos brindam com exemplos extremos de amor e estética.
Maio. Nenhum mês começa ou termina no mesmo dia da semana que maio de qualquer ano. Singular. Dupla origem: a deusa Maya – que é nome de menina bonita e tinhosa – da fertilidade, mãe de Mercúrio. Ou então de etimologia maius (maiores, anciãos). Noivas também se destacam. Com seus 31 dias e começando com o trabalho, é mês rico em simbologias. Atribulações requerem calma e raciocínio, paz.
Junho é a deusa Juno. Também popularmente o mês dos jovens em contraposto a maio. Entre a deusa – esposa de Júpiter, o deus romano-mor – que é responsável pela fidelidade e os casamentos, e os “iunores”, fico com os segundos. Mês com menos horas de luz do dia no hemisfério sul. Serve para reflexão e colher rosas. Brancas de preferência.
Quando Júlio César resolveu trocar o nome de quintilhis para incluir seu nome os dez meses do ano se tornaram onze. E por isso encolheram. Fevereiro foi o mais sacrificado. Mês de férias por excelência. Aprecio as pausas e o descanso. Se o trabalho enobrece, o repouso fortalece. É o mais quente no hemisfério norte e o mais frio no sul. Extremos em que nascem os leoninos. Onde brilha nossa filha única em seus inúmeros predicados.
Agosto é de Augustos. Outro César. Agosto não começa no mesmo dia da semana que qualquer outro mês nos anos comuns, mas começa no mesmo dia da semana que fevereiro nos anos bissextos. Alberto, meu irmão e compadre irradia luz junto com Laura, sua filha bissexta, ambos ímpares. É quem me ouve, me ajuda, me apoia e intitula essa crônica. Todos precisamos de ombro amigo.
Setembro, outubro, novembro e dezembro são respectivamente o sétimo ao décimo mês do ano. Em latim. Em italiano. Setembro é talvez o melhor mês para viajar. Final do verão no Norte e comecinho da primavera, aqui. Renovar e observar. Outras culturas, outras realidades. Ver que o nosso mundinho é realmente pequeno. Ampliar para descansar. Outubro é o mês de partida de revolucionários, disruptores tais como Janis Joplin, Steve Jobs e Renato Russo. Eles se sacrificaram para a paz. Como exemplo.
Novembro e dezembro trazem consigo o final do ano. No penúltimo mês guardamos datas de reflexão, como o dia dos mortos no Brasil e no México, o dia de ação de graças e o dos veteranos de guerra na América, a proclamação da nossa República e dia da Bandeira. Todos cheios de simbolismo de quietude e reverência. Como não deixar de falar do Natal em dezembro o mês derradeiro do ano? Qualquer que seja a religião, Jesus significa paz e amor. São trinta e um dias para se despedir e preparar para o ano novo. Que ele venha próspero. Em paz. Todo.
Feliz Ano Todo.