Opinião Pública

“Maonomics” e o sucesso chinês

Redação DM

Publicado em 2 de março de 2023 às 14:43 | Atualizado há 4 anos

Maonomics é o título do best seller da jornalista e analista política italiana Loreta Napoleoni, professora da Universidade de Cambridge, que tenta explicar e entender o sucesso da China neste mundo globalizado, a partir dos anos 80 do século 20. Ela o faz de forma a responder uma pergunta básica: Por que os comunistas chineses se saem melhores capitalistas do que nós? A resposta, com certeza, é que os chineses se abriram para o mundo de forma lenta e gradual. Porém, como isto aconteceu?
Entre os fatores destacados por Napoleoni, para chegar à resposta conclusiva, destaca-se o chamado do então líder maior Deng Xiaoping, de 1978 a 1991, que usava uma expressão sempre que comunicava com o povo chines, conclamando: “Enriquecei-vos!”. Lógico que, para enriquecer, tinham que trabalhar; afinal, sem trabalho não se cria riquezas. Para tanto, Deng mudou os rumos daquele país com visão de futuro: promoveu reformas econômicas que denominou de socialismo de mercado nos moldes capitalistas, abrindo a economia para o capital estrangeiro, fato que atraiu vultuosos recursos aplicados em novas fábricas; investiu pesado em infraestrutura e abriu mercado no mundo todo. Com mão de obra farta, barata e sem burocracia, indústrias do mundo todo se instalaram no território chines, e produtos “Made in China” invadiram o mundo.
E o mundo assistiu à transformação chinesa em todo este tempo. Deng faleceu em 1997 e deixou seu legado: povo animado, economia crescendo 9% ao ano, escolas em tempo integral para todos com aprendizado de duas línguas (60% dos chineses já falam fluentemente a língua inglesa), incentivos à inovação e ao comércio exterior via exportações, entre outros. Exemplos que deveriam ser seguidos mundo afora. Deng ficou na história chinesa como exemplo de liderança construtiva pela ousadia e visão de futuro. O mundo reconhece.
Enquanto isto, em nosso país, andamos de lado e patinamos no crescimento. Com tributação excessiva e crescente, burocracia canibalesca sobre nossas indústrias, fomos nos desindustrializando e matando empregos. Hoje o setor industrial brasileiro representa menos de onze por cento do nosso PIB. Triste! Sempre, porém, é hora de chamar ao trabalho, convidar para ganhar dinheiro e ter dignidade! Para tanto, se nossos líderes políticos quiserem seguir o bom caminho terão que seguir os preceitos utilizados por Deng na China, ou sejam: Escola em tempo integral para todos em igualdade de condições, todos falando inglês fluente, diminuir tributação e burocracia sobre nossa indústria, principalmente trabalhistas; abrir mercados no mundo todo com negociação, incentivar inovações, retardar cobranças de impostos, que hoje são cobrados antes do recebimento das vendas;  linha de crédito de longo prazo com juros internacionais, entre outros.
Não será fácil, porém, temos que acreditar que é possível. Deng Xiaoping acreditou. Ficará na história mundial. Para sempre!

Moacir Lázaro de Melo é economista, empresário e líder classista em Anápolis GO

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia