Opinião Pública

Senador quer limpar a sujeira de sua boca com dinheiro público

Redação DM

Publicado em 1 de novembro de 2022 às 15:42 | Atualizado há 4 anos

Depois do Congresso americano, o nosso é o segundo mais caro do mundo. Os 513 deputados federais e os 81 senadores custam cada um ao povo brasileiro anualmente quase R$ 24 milhões. É muita grana. E são bem poucos os parlamentares das duas casas (Câmara e Senado) que são cuidadosos no gasto do dinheiro vindo dos contribuintes. São muitos os que lá estão em vários mandatos sem ao menos apresentar um projeto de lei sequer. E com isso o dinheiro público custeando a improdutividade parlamentar desse pessoal. Para aumentar ainda mais o custeio dos políticos, vêm os gastos com os deputados estaduais, vereadores e também os chefes do executivo federal e estadual. Sobre a tal verba secreta, aí o buraco é mais fundo, e ela, no entanto, não cabe neste texto, cujo foco é outro. 

Em 2018, durante sua campanha a presidente do Brasil, Jair Bolsonaro propôs reduzir a quantidade de deputados para 400, alegou que estes “custam caro” e têm “muitas mordomias”.  Bolsonaro, enquanto deputado federal, cargo que em se elegeu por sete vezes, estava entre os 172 parlamentares que apoiaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 280/2008, de autoria do também deputado Clovil Hernandez, a qual reduzia para 250 o número de deputados. A PEC de Clodovil, que morreu em 2009, não mexeu no quantitativo de senadores, mas pelo Congresso já houve PEC no sentido de diminuir de três para dois o número de senadores dos 26 estados e o Distrito Federal. 

Em seu projeto para redução dos deputados, que (óbvio) não avançou na Casa, Clodovil argumentou o seguinte: “O atual número de deputados nos parece excessivo, mormente em um momento em que a sociedade se volta contra a classe política e exige a depuração de seus quadros. Entendemos que uma Câmara com 250 deputados já possuirá amplas condições de representar a diversidade da sociedade brasileira, e possibilitará um enxugamento de estruturas administrativas”. 

Sobre o senador que quer usar dinheiro público para limpar a sujeira de sua boca, esse parlamentar é Jorge Kajuru. Li recentemente no site do UOL que ele quer utilizar verba pública para pagar uma indenização à apresentadora Luciana Gimenez. Kajuru, em sua rotina de boquirroto, disse que Gimenez é “mulher de programa e desqualificada”. A espada da lei pesou contra o parlamentar no processo aberto contra ele. Para cessar o processo, a apresentadora quer que Kajuru doe R$ 30 mil para uma ONG ligada à  defesa dos direitos da mulher e preste 80 horas de trabalho nessa entidade. 

Kajuru quer pular fora das 80 horas de serviço, alegando ter mais de 60 anos, por fazer tratamentos médicos constantes bem como ter uma carga de trabalho exaustiva. Ele aceita pedir desculpas. Em relação aos R$ 30 mil, quer que o valor seja pago com emenda parlamentar. Bagre ensaboado que é, alegou que não foi ideia sua o pagamento de tal valor por emenda parlamentar, mas de seu advogado. Kajuru se enquadra perfeitamente na PEC anteriormente mencionada sobre a redução de senadores. Sua atuação é chocha. 

Os eleitores “temos” de ficar com os olhos arregalados para com os políticos que elegemos. Além de entregar-lhes nosso voto, devemos também acompanhar os que fazem nas casas de leis em nosso favor. Não podemos ser feitos de otários por alguém que elegemos a presidente, governador, deputado federal, estadual e vereador, principalmente pelo fato de que o salário deles vem do nosso bolso. Eles são nossos empregados. 

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