Brasil

13 de Dezembro Dia de Santa Luzia

Redação DM

Publicado em 12 de dezembro de 2015 às 23:08 | Atualizado há 11 anos

Tenho muito orgulho de poder utilizar este espaço do jornal para levar à mídia caligráfica o nosso sentimento de religiosidade, pois assim o público leitor tem a oportunidade de familiarizar, a cada dia, com fatos e histórias que nos levam a aproximação com Deus. Esse é o meu foco para dar vasão a minha inspiração e o meu gosto por esta tipologia de texto. Sendo assim, falo hoje de SANTA LUZIA. O Dia de Santa Luzia é comemorado anualmente em 13 de Dezembro. A data celebra a “padroeira dos olhos e da visão” na religião católica. Luzia significa, no Latim, “portadora da Luz” ou “aquela que leva a luz”. As festividades são de origem popular e tradicional, principalmente na Escandinávia. No Brasil e em Portugal, o culto a Santa Luzia também é bastante forte entre a comunidade católica.

A história dos santos são histórias que servem de exemplos para todos nós. Eles nos inspiram à fé, ao desprendimento, sobretudo, à estima pela nossa vida. E a história de Santa Luzia merece ser contada: Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, a ponto de ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe a queria casada com um jovem de distinta família, porém, pagão. Não era o desejo de Santa Luzia, no entanto, a vontade de Deus prevaleceu, cumprindo, assim, os desígnios para sua virgindade. Não foi fácil para Luzia contrariar as exigências sociais da época, pois já estava predestinada a um certo marido. Muitos sofrimentos viriam, pois ela não queria oferecer sacrifício aos falsos deuses nem quebrar o seu santo voto. A Santa teve que enfrentar as autoridades perseguidoras. Quis o prefeito da cidade levar à desonra a virgem cristã, mas não houve força humana que a pudesse arrastar. Firme como um monte de granito, lutou até que a espada acabou com vida tão preciosa. A decapitação de Santa Luzia se deu no ano de 303. Conta-se que antes de sua morte teriam arrancado os seus olhos, fato ou não, Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou por Jesus – Luz do Mundo – até as últimas consequências, pois assim testemunhou diante dos acusadores: “Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade”.

O culto a Santa Luzia não tem fronteira social, todos os católicos a reconhecem como protetora dos olhos. Entretanto é muito comum nas comunidades populares as pessoas rezarem para o restabelecimento da visão. Dentre as orações algumas delas são muito interessantes.

Oração para Santa Luzia, a padroeira dos olhos:

Ó, Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos para que eu possa ver as belezas da criação. Conservai também os olhos de minha alma, a fé, pela qual posso conhecer o meu Deus, compreender os seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós, Santa Luzia, vos encontrais, em companhia dos anjos e santuário.

“Ó, Santa Luzia, que preferistes deixar que os vossos olhos fossem vazados e arrancados antes de negar a fé e conspurcar vossa alma; e Deus, com um milagre extraordinário, vos devolveu outros dois olhos sãos e perfeitos para recompensar vossa virtude e vossa fé, e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos, eu recorro a vós para que protejais minha vista e cureis a doença dos meus olhos.

Oração de Santa Luzia para crianças

“Santa Luzia passou por aqui, seu cavalinho pastando capim.

Sangue de Cristo pingou aqui. Amém”

(Oração para quando entra um cisco ou farpa nos olhos da criança. Fazer a oração enquanto esfrega os olhos da criança com a ponta dos dedos).

Mediante esses fatos podemos entender que a visão de que nos sugere Santa Luzia vai para além do ver concretamente, é, antes de tudo, o enxergar a alma, a alma de nosso próximo, enxergar os problemas que afligem nossa comunidade, os desrespeitos para com as pessoas. Mas para vermos tudo isso é necessário sensibilizarmos com os fatos sociais mais próximos de nós e não perdermos o foco de nosso dever como cidadãos. Nossas atividades cotidianas nos aproximam das pessoas para que possamos ver e agir. É esse o nosso dever.

E aqui posso lembrar dos Direitos Humanos, que é comemorado no dia 10 de dezembro. No dia 10 de Dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi apresentada e proclamada durante Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. A data tem um significado de extrema importância para a história da humanidade e para o modo como as sociedades são constituídas na contemporaneidade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante à todos os seres humanos o direito à liberdade, à vida, à segurança e à dignidade. Os líderes mundiais se reuniram e prometeram fazer com que a humanidade nunca mais tivesse que enxergar as atrocidades como as que haviam sido registradas nas duas grandes Guerras Mundiais. Para isso, criaram ainda em 1945, ano em que a 2º Guerra Mundial chegou ao fim, a Organização das Nações Unidas – ONU. Esse é o jeito de ver o mundo, por dentro, na essencialidade, naquilo que se pode reconhecer como humanitário. Foi assim que Santa Luzia desejou enxergar; um mundo sem violências, sem preconceitos, sem fome, sem corrupção, sem miséria.

Tenho a convicção de que o mundo que Santa Luzia quis ver é um mundo possível. Basta que enxerguemos nós mesmos, para olhar com os olhos da alma e enxergar a subjetividade do mundo. É esse o exercício que faço todos os dias, tendo em vista a minha atividade no lidar com as pessoas. Vivo e prático as causas humanitárias, pois sei que todos as pessoas devem ter o direito de contemplar as belezas da criação.

 

(Célia Valadão, cantora, bacharel em Direito e vereadora)


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