Brasil

A FAMÍLIA EM QUE ACREDITO: um convite à reflexão

Redação DM

Publicado em 28 de outubro de 2015 às 17:09 | Atualizado há 11 anos

Acredito, com todo o meu ser, que nada é mais belo, frutífero e construtivo do que o amor. Por isso, impressiona-me que, hoje em dia, em pleno século XXI, ainda haja tanto preconceito ao se tratar esse tema. Temos visto as controversas discussões, por exemplo, em torno do conceito de família. É certo que a definição de “família” para uma sociedade implicará, em alguns contextos, consequências jurídicas – partilhas, heranças, etc. Mas não é sobre esse aspecto que quero conversar agora. Vamos simplificar: vamos falar sobre laços afetivos. Afinal, a simbolização maior que temos de família não é o ninho, o lugar de proteção, de amparo, de desenvolvimento, de amor?

Nessa perspectiva, que diferença faz a composição da família? Não é mais importante a saúde emocional e afetiva do que o sexo dos seus membros? Não é mais importante haver respeito, carinho, amor, valores, proteção, incentivo, limites, e outras tantas coisas que nutrem e formam o ser humano, do que garantir que haja um pai-homem e uma mãe-mulher?

Já vi tantas famílias de composição tradicional (entenda-se aí pai-homem, mãe-mulher e filhos) que, com suas patologias relacionais sufocam, oprimem, violam, maltratam, desrespeitam, reprimem ou abandonam seus filhos. Já vi tantas famílias ditas “normais” adoecerem seus membros. Já vi tantos casais compostos por homem e mulher que se ofendem, que competem, que se digladiam, que se agridem, que semeiam a infelicidade no âmago daquele que deveriam honrar, respeitar e ajudar a crescer e a se desenvolver. Quem não viu?

O que é mais importante? Seguir um estereótipo, ou expressar o seu amor? Atender a normas obsoletas que não condizem mais com o que a sociedade expressa e reivindica, ou dedicar-se a criar um ser humano em sua plenitude, com consciência e amor, incutindo-lhe o senso de responsabilidade, honestidade, liberdade e respeito ao outro?

Convido vocês a pensarem um pouco sobre isso e a se abrirem – a despeito de crenças antigas ou de convicções religiosas – para aceitar como legítimas todas as formas de amor. O mais importante, a meu ver, é que, seja qual for a composição do núcleo familiar, o ambiente contribua para o florescimento de personalidade saudável, tanto do casal, quanto dos filhos.

Neste mundo em que estamos, com tanta violência, corrupção e violação das pessoas – essas sim, práticas que devem ser deploradas e erradicadas – defendo que todas as formas de amor verdadeiro sejam aplaudidas, respeitadas e validadas.

Cristina Jacobson Jácomo Cinnanti  é mestre em psicologia e especialista em Gestão Pública Legislativa

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