A força da advocacia do interior
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2015 às 21:25 | Atualizado há 11 anosO exercício da advocacia é apaixonante. É indescritível o prazer de elaborar as peças, a satisfação das sustentações orais, das batalhas jurídicas, da garantia dos direitos ao cliente e à sociedade, da aplicação da justiça. Advogar não tem preço. Entretanto, tão ilustre e sublime atividade precisa atestar aos que a elegeram como profissão condições de uma vida digna. Um desafio que a cada dia faz-se mais imponente. E, se o assunto é desafio, as particularidades da prática da advocacia no interior do estado assumem imponência considerável.
O olhar de inferioridade com que muitos escritórios renomados insistem em espectar os advogados interioranos é degradante para a classe. A luta por uma tabela justa de honorários fica enfraquecida se temos dentro da categoria escritórios adotando subremunerações para a realização de audiências. O profissional que atua no interior tem qualificação, experiência e capacidade sinônimas ao advogado que trabalha na capital, e não raras vezes, é percebido como inapto.
O menor número de juízes nas comarcas agrava a morosidade na apreciação dos processos, comprometendo a eficiência na prestação dos serviços, além de implicar em relações não impessoais entre os magistrados e advogados. O profissional que trabalha no interior precisa recorrer sempre ao mesmo juíz e encontra dificuldades com a parcialidade e muitas decisões judiciais.
Soma-se a isso a excessiva centralização do trabalho da Comissão de Prerrogativas, sediada em Goiânia. Quando um advogado tem suas prerrogativas ofendidas no interior, o tempo para que ele receba o respaldo da Ordem é maior. Outro grave problema que atinge quem advoga longe dos grandes centros urbanos é o recebimento da Unidade de Honorários Dativos. A advocacia dativa é fonte substancial de nossa renda, que fica comprometida com a desatualização do valor da UHD e os constantes atrasos nos repasses.
Entretanto, já somos maioria entre os advogados de Goiás. Insistimos na advocacia porque ela é nossa paixão. Porque o entusiasmo para com a profissão faz nossa decisão por sermos advogados irrevogável. Porque sabemos que juntos podemos reverter esse quadro. A sequência de administrações da OAB Forte – lementavelmente tão insultada – nos mostra que é possível. Eu vejo a força da Ordem chegando também no interior.
Seja na construção e reforma de subseções, no fornecimento de equipamentos ou na difusão de cursos de aperfeiçoamento profissional, a OAB Forte tem lutado ao nosso lado. Um projeto que pensa em todos os advogados, não importando se atuam em Goiânia ou em outros lugares do Estado. Temos um histórico de gestões que avançaram em muito nos problemas efrentados pelos advogados do interior e uma campanha que já sinalizou com a continuação deste trabalho com propostas factíveis, como as centrais de prerrogativas. É preciso lembrar também que Flávio Buonaduce foi peça chave nas negociações pelo reajuste da UHD.
Sabemos o que precisa ser diferente e sabemos que a OAB tem abraçado as diferenças, militando por um exercício mais digno da advocacia em todo o estado. Seremos advogados mais valorizados com uma Ordem mais forte.
José Divino Morais é advogado e conselheiro seccional da OAB/GO)