Brasil

A lula que não é lelé

Redação DM

Publicado em 28 de março de 2016 às 02:02 | Atualizado há 10 anos

Em meus tempos de criança, me divertia muito assistindo as dezenas de programações infantis na televisão, especialmente aos desenhos animados criados pela fabulosa dupla de cartunistas Hanna-Barbera, com destaque para a Lula Lelé. A famosa série, exibida com sucesso pela Rede Globo na década de 1970 apresentava uma famosa lula macho, que vivia em um aquário na Bubbleland, tentando escapar de seu proprietário, Chefe Winchley, para se tornar um grande compositor, fugindo daquela redoma aquática. Entre uma fuga e outra, tentativas frustradas, correrias e decepções, a pobre lula sempre acabava presa em seu mundinho de subserviência e ilusão. Ficção à parte, a sociedade brasileira conta com uma lula também, só que, diferente da personagem, essa é muito esperta e esquiva. Com os recentes acontecimentos que repercutiram na mídia nacional e, até mesmo, internacional, dando conta da plausível e eficiente ação da Polícia Federal ao conduzir o ex-presidente Lula para depor coercivamente em São Paulo, ficou evidente que – diferente daquela do desenho infantil, que desejava escapar da redoma, ganhando o mundo com sua música e peripécias, a Lula do Brasil, não é tão lelé assim –, pelo contrário, sabe esbravejar, vociferar, inflamando seus partidários, mancomunados, seguidores, para que saiam em sua defesa, já que se considera a alma mais justa, pia e honesta desta nação, entocada em seu mundinho de fantasia aqui chamada de Lulaland, com tentáculos que se estendem ao Palácio do Planalto, Congresso Nacional, STF e, sabe-se lá onde mais, num despudorado tráfico de influência que mete medo nos mais influentes representantes dos “poderes” que zelam pela Constituição e bem-estar na nação. Agora, como num jogo de xadrez em que o rei, soberano e absoluto, se movimenta para todos os lados, a Lula que não é lelé, realiza o roque, se protegendo do cerco que vai crescendo ao seu redor, mais uma vez, escapando sutilmente das garras da justiça. Nem mesmo as numerosas, pacíficas e justas manifestações do último domingo (13/03) inibiram a arbitrária decisão da presidente da república de nomear a Lula que não é Lelé, para o cargo de ministro chefe da Casa Civil, ganhando fôlego e foro privilegiado para barrar investigações que revelam o lado sombrio das profundezas de seu oceano de mentiras e trapaças. Com essa atitude, tanto a Lula que não é lelé, como o seu “chefe” DR – dão uma tapa no rosto de todos os brasileiros que almejam um país melhor, justo e sem corrupção –, entoando com entusiasmo e chacota o famoso single “Tô Nem Aí”.

(Cezar Frugoni, jornalista, escritor, teólogo, professor e editor da revista MVN News)


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