Brasil

A ordem é ocupar escolas

Redação DM

Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 22:56 | Atualizado há 11 anos

Depois de muitos anos de um sistema educacional deteriorado e em deterioração, o  governo de São Paulo teve uma boa  ideia (em tese): anular os espaços físicos vazios, agrupar os estudantes por idade e maximizar o potencial de aprendizado  em quase 30%, esses são os pilares informados.

Entretanto, se esqueceram de convencer aos pais e sociedade geral da viabilidade do projeto, falharam na estratégia de preparação para a mudança, olvidaram da capacidade de desinformação constante entre os cidadãos – como resultado, mais de 200 prédios foram ocupados de maneira até violenta, confusa e totalmente midiática.

Talvez por tolice, o governo paulista não atentou para o detalhe que na abundância de tolos, os oportunistas das mais diversas cores se apresentam nas primeiras fileiras empunhando bandeiras e badernas, principalmente se o inimigo a se combater é contra (também em tese), determinado partido presidencial e o estrago se faz presente, invariavelmente.

Diante da pressão sentida, concreta ou não, o governador apitou recuo, o projeto não será efetivado, nem por isso todos os prédios foram desocupados (a anulação do projeto nunca foi a real motivação), ao contrário, houve mais arruaça nas ruas, a polícia precisou intervir para o bem público – perderam os inocentes  estudantes, perderam os pais, perdeu a razão – somente obteve ganho quem manobrou o movimento: moldou-se uma nova arma política e de terror.

Agora em Goiás, o governo intenta utilizar na administração de suas escolas o sistema  público-privado por meio de gestão a cargo das Organizações Sociais (OSs) visando desburocratizar cada centro educacional e acelerar o processo decisório nos mesmos, dessa forma garantindo melhor cuidado ao trato educacional.

E o que acontece ? As ocupações de escolas goianas se iniciaram, estudantes tentam explicar os motivos da ação e não o dizem fundamentadamente, apenas argumentam serem contra por causa dos professores e de um provável prejuízo a todos (!)

Semelhante a São Paulo, o governador é do mesmo partido, entretanto, aqui não há oposição direta à presidente, resta saber se haverá a influência político-partidária radical sobre e dentro desse movimento, por enquanto, incipiente –  fator positivo é que há tempo para defesa.

O que se espera de um povo sensato é que não se destrua algo que, a princípio, oferece mais vantagens que desvantagens, simplesmente por uma questão ideológica, fisiológica ou política – do bom senso se aguarda isso, cabe ao governo também agir com sabedoria e explicar, divulgar, dialogar, antes que oportunistas vorazes se aproveitem da vaga existente e tragam os seus conhecidos prejuízos para as salas de aula, porque nesse caso o que menos interessa é o bem dos alunos, presente ou futuro.

 

(Olisomar Pires, escritor – olisoblog.com)

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