A participação de cristãos na política e a Igreja
Redação DM
Publicado em 3 de junho de 2016 às 02:21 | Atualizado há 10 anos
A Igreja Católica, através de suas lideranças nacionais, particularmente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, acaba de produzir a cartilha “Eleições municipais 2016: Resgatar a dignidade na política”, que pode ser adquirida pelo site http://www.scalaeditora.com.br/produto/eleicoes-municipais-2016 ao custo de R$ 2,20. Seria bom se tal documento pudesse ser distribuído gratuitamente, ainda que com patrocínio de empresas e, por que não, de governos. A proposta resume-se em sete encontros, onde serão abordados temas como a corrupção na política e a participação do cristão no processo eleitoral.
Historicamente, a Igreja Católica tem ajudado a costruir a cultura do povo brasileiro. Isto se dá por suas características tais como o fato de que seu prelado representa o governo de uma nação independente, bem como por seu envolvimento histórico nos governos europeus, refletindo nas administrações das antigas colônias, caso específico do Brasil. Daí que houve no percurso acertos e equívocos. Isto não a inabilita, mas, ao contrário, lhe impõe o dever de corrigir o rumo na direção dos acertos e dar nova envergadura ao seu compromisso com a ética cristã. É fato que numa instituição tão grande haja divergências, mas é visível o compromisso da maioria dos clérigos na nova visão institucional. Este é o exemplo que deve permanecer e fazer coro, de forma a refletir em toda sociedade.
Tenho sido crítico contumaz da posição política individualizada, onde o eleitor vota conforme seus interesses mais mesquinhos e, ao final, cobra postura de um político cuja eleição se deu por motivos torpes. Ora, este político não sobreviveria sem a torpeza de seus eleitores.
A Igreja, seja ela Católica ou não, não é por certo a dona da razão ou da ética social. Mas são instituições guiadas por uma ética comum cujo resultado provou-se eficaz por séculos, afora os equívocos, repito, dos quais o reconhecimento tem fortalecido estas mesmas instituições. Assim, justo é que se envolvam num processo que é determinante para a qualidade de vida de um povo tal qual o é o processo eleitoral de um país. Pode-se dizer desta forma que a Igreja Católica dá um exemplo aos demais, ao preparar uma cartilha que leva não ideias prontas aos seus fiéis, mas os habilita a pensar o assunto e discuti-los de forma democrática e ordenada para determinar as melhores escolhas conforme sua ética lhe impõe.
O intuito deste texto não é ovacionar a Igreja Católica, embora o faça sem constrangimento, até porque tenho muitos amigos no seu ministério. O intuito aqui é chamar a atenção para a necessidade de que não só as demais igrejas cristãs, mas todas as instituições moralmente comprometidas promovam tais debates a fim de construirmos uma nova nação. A ética na administração pública nacional não nascerá da manutenção do PT, PMDB, PSDB, PTB ou qualquer outra sigla no poder. A ética na administração pública nascerá da ética do eleitor que se posicionará no processo eleitoral. De minha parte, ainda que membro da Igreja Batista Renascer, uma instituição que tal qual a Católica tem se comprometido com a ética de seus membros, embora sem fazer política partidária, já adquiri minha revista no intuito de conhecer os temas propostos. A partir daí pretendo criar grupos de debates para nos conscientizarmos da responsabilidade de cada um. Os equívocos podem de fato nos desviar do caminho, mas parafraseando Robert Kennedy: “Somente os que ousaram errar grandemente podem alcançar a grandeza”. Esta deve ser a motivação de cada eleitor: alcançar a grandeza pessoal, social e política.
(Coronel Avelar Lopes de Viveiros, comandante do policiamento ambiental de Goiás)