Brasil

A polícia e seu difícil mundo

Redação DM

Publicado em 18 de junho de 2016 às 03:42 | Atualizado há 10 anos

O meio homicídio, meio acidente que vitimou o aspirante Renato Simões fez com que a atuação da Polícia Militar voltasse ao centro das atenções da imprensa goiana e, obviamente, de nossa sociedade.

Desde o longínquo 20 de novembro de 1530, quando se tem a primeira referência à atividade policial no Brasil, – então encarregada da organização dos serviços de ordem pública, segundo registros históricos, vivemos grande oscilação do humor social para com nossas corporações.

Óbvio que não se pode defender uma prática policial arbitrária, entretanto, é inquestionável reconhecer a grande dificuldade para definir a gradação da rigidez que a polícia deve implementar no exercício de sua abrangente atividade fim.

Cobra-se da polícia uma dosagem ideal de equilíbrio não muito compatível com a estabilidade do homem médio, daí resulta que do profissional de segurança exige-se a sobriedade de um monge e a coragem cinematográfica de um apache.

Às polícias, particularmente à militar, entregamos a defesa de grandes valores humanos, tais como a segurança, a tranquilidade e, porque não dizer, a própria vida.

As difíceis tarefas acometidas às polícias fazem com todas elas estejam sempre vivendo uma grande exposição e, portanto, submetidas a constantes críticas nem sempre positivas.

Ao longo do tempo sempre procurei ser um crítico consequente que pondera entre a alegação de arbitrariedade e a pieguice da excessiva tolerância. Mantenho essa postura.

A fria estatística que vem sendo exposta à opinião pública sugere que temos uma polícia homicida e sem respeito pela vida. Isso não é verdade absoluta.

Não é muito lembrar o óbvio, isto é, que o policial está sujeito às mesmas vicissitudes impostas aos cidadãos civis, que têm família, são sujeitos ativos e destinatários do amor, portanto, têm direito a se defender das agressões, quando injustas, valendo-se, obviamente, da reação adequada e pertinente a cada caso, sempre atento para  evitar excessos.

 

(Felicíssimo Sena, advogado)

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