Brasil

A política não pode ser um horóscopo antigo

Redação DM

Publicado em 15 de julho de 2016 às 02:12 | Atualizado há 10 anos

Filha de Urias Magalhães e Cândida de Morais, minha avó Maria Carmelita tinha uma frase muito boa: “Quem muito se agacha mostra a bunda.” Ela dizia essa expressão sempre que observava alguém servil em demasia para agradar outra pessoa, sem nunca expor suas convicções e seus pontos de vista. Pois dessa forma, se sujeitando a abusos de todo tipo, acaba-se perdendo o próprio valor e o respeito dos demais.

Comecei a interessar-me por política recentemente. Imagino que junto com essa nova legião de convertidos pelas redes sociais, que, amando ou odiando, fomos obrigados a interagir com o tema. Decidimos erguer o tronco, tampar nossas vergonhas e enxergar de frente a falta de vergonha na cara dos políticos contemporâneos. Evidentemente, como um náufrago recuperado à terra firme, começamos a nos importar com os rumos da nossa própria vida, em vez de seguir à deriva nessa correnteza violenta que é a política.

Abri os olhos no meio dessa confusão política. O que comecei a ouvir parecia absurdo demais para ser verdade, embora a realidade catastrófica que observava no mercado da esquina, na conversa entre os meus amigos desempregados só poderia ter sido causada por uma atrocidade intelectual ou moral sem precedentes, mesmo!

Morando em Campinas, a região das flores, do bate-pernas nas calçadas e das histórias de um passado bom, comecei a ver placas de “aluga-se”, vagas de estacionamento desocupadas, velhinhos tristes e enfermos, e todo um comportamento rabugento antes impraticável nesse coração pulsante da cidade.

Estivemos sujeitados a sérios abusos causados por políticos. E o que mais me incomoda é reconhecer uma enorme leva das mesmas figurinhas repetidas, desses coronéis velhos e caducos, incluindo também seus parentes, nas propostas de candidatura para as eleições deste ano.

Caras novas, mas sobrenomes repetidos. Eis o erro grosseiro para maquiar a politicagem barata! O que me enojava da política infelizmente continua vivo nas trocas de favores e de cargos, nas movimentações entre aliados de aliados que mudam as peças do quebra-cabeça, mas continuam mostrando a mesma figura estampada com uma nova tonalidade ou tecnologia.

Pouco se fala em retomar o sorriso dos transeuntes das praças, mas muito se comenta em retomar ao poder. Pouco se comenta sobre a nossa valorosa capacidade de empreendedorismo e superação como goianienses guerreiros e dedicados que somos, embora estejamos cansados de assistir as mesmas frases hipócritas dos mesmos partidos e políticos que causaram tudo o que estamos vivendo de pernicioso atualmente.

Foi-se o tempo em que os astros e meteoros caíam por detrás de brancas nuvens no céu, distraídos que estávamos na nossa vida cotidiana. A crise política é local e está sob nossa responsabilidade. Mesmo em solo firme, resgatados da tormenta inerte da alienação, seus efeitos inebriantes e nauseosos ainda podem causar muitos estragos. Cautela com isso!

Nós estamos conectados e conscientes do nosso rumo agora, não precisamos que nos falem somente o que queremos ouvir, senão que nossa própria voz seja a verdadeira estrela em destaque. Se ler horóscopo antigo dá azar, usemos essa premissa também na política. E assim abandonamos essa superstição vazia de uma vez por todas!

 

(Desirée Peñalba, advogada, mestranda em Economia, líder do Livres em Goiânia e diretora do Instituto Liberdade e Justiça)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia