A transparência do mal
Redação DM
Publicado em 2 de novembro de 2015 às 22:46 | Atualizado há 11 anosO mal está escancarado na sociedade para todo mundo ver e sentir. Basta as pessoas ficarem atentas aos noticiários das mídias, para se informarem de tudo de ruim que ocorre no Brasil. Até parece que o cidadão está sempre revoltado e de mal com a vida. É sabido por todos que a maioria dos crimes são cometidos por falta de tolerância, de respeito à vida e pela facilidade que os criminosos têm para praticá-los. Nesse contexto, tudo indica que o país está dividido em dois grupos de pessoas: o grupo das pessoas normais, que se submetem as normas sociedade; e o grupo dos anormais, que se julgam discriminados e agem fora da lei. Essa é uma realidade conhecida de todos, mas que não tem recebido das autoridades as providências cabíveis para evitar conflitos e o fortalecimento do grupo dos anormais.
No Brasil, grande parte da mídia se mantém às custas da onda de violência que tomou conta do país. Tem programa de televisão que 90% da programação fala apenas de violência e crime. Alega o produtor e apresentador desse tipo de programa que eles apenas divulgam as ocorrências, não inventam nada e nem fazem apologia ao crime. Essa é a transparência do mal, que faz mal à sociedade. A divulgação de fatos negativos, com muita ênfase e de forma continuada, estimula os criminosos e fomenta a criminalidade. O sensacionalismo, além de não inibir os bandidos, causa pânico e terror às famílias.
Esta é a hora da mídia e da sociedade deixarem de falar de fatos ruins, que não constroem, para falarem de fatos que contribuem com a construção de uma cultura de paz no País. Na convivência social do dia a dia, o principal diálogo que se escuta entre as pessoas, é falando de miséria, de violência e de crimes. Entendo que, em nome da paz e da tranquilidade da família brasileira, as autoridades precisam restabelecer a ordem pública e incentivarem as pessoas à mudarem o diálogo, falarem do bem, ao invés do mal. Dizem que a mentira dita várias vezes, pode ser entendida como verdade. Assim é o mal, quanto mais transparente, mais prejuízo trás à sociedade. Portanto, vale destacar apenas as ações construtivas e que produzem bons resultados.
A debate que está sendo feito no congresso nacional, sobre facilitar a posse de arma de fogo para a população brasileira, na ilusão desta se defender dos criminosos, é mais uma maneira de enganar o povo, prestigiar a indústria bélica e de vender ilusão. Não precisa ser especialista em segurança pública para saber que arma de fogo foi feita para matar. Se a proposta é reduzir as mortes, não tem lógica armar a população com armas de fogo. O correto é desarmar a sociedade e proibir o comércio de arma de fogo, exceto para os órgãos de segurança pública. Se chegar ao ponto de armar o cidadão para se defender, não precisa mais de polícia, entrega uma arma para cada um, e defenda-se quem tiver melhor pontaria. Será que é isso que a sociedade quer? Com certeza não é. O desejo do povo é viver em paz.
(Gercy Joaquim Camêlo, governador do Rotary International, Distrito 4530, Gestão 2012/2013)