Brasil

Agronegócio defende estado democrático de direito

Redação DM

Publicado em 22 de março de 2016 às 00:59 | Atualizado há 10 anos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com sede em Brasília, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Sociedade Brasileira de Pecuária, estas sediadas em São Paulo, acabam de emitir sua preocupação sobre o momento político e econômico brasileiro em caráter oficial. “Diante da atual crise política e econômica vivida pelo País e dos últimos acontecimentos em decorrência das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, o setor produtivo do agronegócio”, por meio da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), conclama para que, em qualquer situação, se mantenha o Estado Democrático de Direito e o princípio da ordem pública constituída.
A entidade entende como legítimo o direito constitucional de todos se manifestarem, sejam quais forem as posições defendidas. Salienta, no entanto, que tudo deve ser feito observando o respeito às instituições públicas, sem animosidades e sem violação de qualquer lei.
A Abag ressalta que “vivemos a falta de confiança das empresas e da sociedade no governo e na classe política. Um momento de redução nos investimentos, no consumo e aumento do desemprego”. Essa instabilidade econômica e social afeta a todos. Para recupera a confiança e o crescimento são necessárias mudanças significativas na política e, consequentemente, na economia.
Reforça ainda integral apoio à imprensa livre e a todas as instituições da democracia, que vêm somando esforços com a sociedade civil brasileira na defesa da ética, em especial ao trabalho realizado pela Justiça brasileira.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), entidade máxima de representação da agropecuária brasileira, também expressa as preocupações dos produtores rurais diante das graves dificuldades que vive o País. Único segmento da economia brasileira a apresentar crescimento e a mostrar desempenho superavitário na balança comercial, o setor se credencia a alertar para o desastre iminente.
Em nota, assinala que o “Brasil está em profunda recessão em virtude de reiterados erros de concepção e condução de política econômica”. E observa que o preço por estes erros está sendo pago com muito sacrifício pelo setor produtivo e pelos trabalhadores. Nem assim o poder político reage na direção certa. Ressalta, ainda, que “nada está sendo feito para corrigir os rumos da economia”.
Dura, a entidade ataca a “irresponsabilidade política e as soluções casuísticas parecem aspirar apenas à própria sobrevivência, sem mais nenhum propósito de resolver os verdadeiros problemas do país e das pessoas”. E deixa bem claro que esta paralisia e essa falta de compromisso tornam a crise cada vez mais profunda. E muito mais alto o custo de sua solução.
Para a CNA, o governo é parte central do drama do produtor, pelo seu peso na renda nacional e porque é quem dispõe, com exclusividade, dos instrumentos de política econômica que podem mudar o rumo da economia. “Por isto, o governo é o responsável pela situação que estamos vivendo. E deve à Nação o fim da crise”, sugere a nota oficial.
Os produtores rurais acompanham com apreensão e angústia este drama, que é de todos. Vive-se uma situação que não pode perdurar. O segmento repudia, no entanto, qualquer movimentação social que acirre os ânimos e gere violência. Mas, espera que as instituições e o sistema político, em sintonia com o sentimento geral da sociedade, encontrem o caminho de volta ao crescimento, ao equilíbrio e à harmonia entre os brasileiros.
Debater o contexto político-econômico e suas implicações para o agronegócio, além de traçar cenários e perspectivas. Este será o foco da palestra que será ministrada pela apresentadora e editoria-chefe do Mercado&Cia do Canal Rural, Kellen Severo, durante a Tecnoshow Comigo 2016. O debate ocorrer no dia 13 de abril, às 14 horas, no auditório principal do Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde, modelo de pólo agropecuário e cooperativo do Brasil. Segundo a jornalista, a partir da leitura e do entendimento do cenário político e econômico atual é possível ter mais clareza para a tomada de decisões nos negócios.
De acordo com a jornalista, os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no início de março, revelaram que a agropecuária foi o único setor a crescer, em meio a uma das piores recessões vividas no Brasil em quase duas décadas. “Esse indicador é um sinal de que mesmo diante da fragilidade do sistema político e econômico, a demanda por alimentos é um dos fatores mais inelásticos que existe, o que nos dá garantia de sentir menos os efeitos da crise em comparação a outros setores como a indústria”, relata.
Para Kellen e para todo o segmento agropecuário, é importante chamar atenção para a fragilidade também de algumas agroindústrias, pois o dado que revela o crescimento de 1,8% em 2015 para agropecuária expressa a situação da porteira para dentro. A avaliação neste momento é que a velocidade das mudanças de cenários é uma das mais intensas que se tem conhecimento. A valorização ou desvalorização do dólar, por exemplo, acontece de maneira intensa, já que o País vive um período de ampla especulação e tensão emocional que se expressa claramente no valor da moeda.
O momento atual requer muita atenção, informação e acima de tudo gestão de custos. A diferença entre quem vai sobreviver ao cenário de crise e quem vai deixar de existir está basicamente na gestão, ou seja, como você gerencia a informação e toma decisão a partir delas, observa a jornalista do agro, comungando opinião de toda a cadeia produtiva.

(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-GO, autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste e editor da página de agroindústria do Diário da Manhã)


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