Brasil

Anjos de Luz

Redação DM

Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 22:52 | Atualizado há 11 anos

Diante de uma sociedade arraigada pelo consumo em massa, da cultura dos descartáveis, do culto à aparência, da necessidade de status e alimentada de notícias midiáticas, das quais alguns acreditam com fé e convicção, não é de se espantar que pessoas se preocupem mais em clamar pela ditadura e em bater panelas, do que levantar o véu que usam para  encobrir o que de fato,  podem perturbar-lhes a visão.

As ruas estão repletas de pessoas sem acesso à moradia, à educação, à saúde, que acreditem, é de responsabilidade do município, do governo, não da meritocracia, que tantos pregam. Pessoas administram municípios, Estados, como se estivessem lidando com latifúndios, se portando como coronéis, mandando e desmandando nessa terra que pensam ser donos e ameaçando e expulsando os que tentar ter voz.

E é nesse cenário, tão desajustado e incoerente, que surgem sinais de luz, de esperança, de fôlego para poder nos motivar a seguir em frente. Existem pessoas, nessa “terra de  gigantes”, que com sua nobreza e força de vontade tentam, fielmente, deixar o seu mundo mais coeso. Digo “seu” mundo referindo-me à localidade, que a priori, é o lócus que podem transformar.

Essas pessoas de quem vos falo, são os Catadores. Sim, esses Anjos de Luz que muitos ignoram por aí. Enquanto muitas cidades entulham seus lixos em locais inadequados, não se preocupando com os impactos ambientais e sociais, e pagam muito bem para que esse serviço seja feito exatamente deste modo, os Catadores coletam e separam o que pode ser reaproveitado.

Imaginem vocês a imensidão de produtos que são descartados sem nenhuma seleção e preocupação, em lugares afastados do meio urbano, para que as pessoas acreditem que estão vivendo numa cidade “limpa”. ”Limpa”, entre várias aspas. Enquanto isso, nos “aterros controlados”, vulgo lixões, pessoas trabalham de forma totalmente inadequada e desprotegida, tentando separar naquela imensidão de descartes, o que ainda pode ser reaproveitado.

Sabe o que gera essa seleção de descartes? Como bem explicado pela Sra. Sandra, presidente da Estação Reciclar de Itumbiara, no I Seminário de Gestão de Resíduos Sólidos de Itumbiara/GO, a coleta seletiva gera renda, inclusão social e educação ambiental. Algo tão obviamente necessário, mas tão desprezado e com caminho inundados de obstáculos, que dificultam esse processo.

Enquanto descartamos os copos plásticos em cestas comuns, eles estão ali, limpando a nossa sujeira, arrumando o que deixamos bagunçado. Estão tentando organizar a cidade, o mundo. Eles podem nos ajudar a melhorar, e nós devemos ajudá-los a alcançar o que é deles por direito. Estão trabalhando e precisam de meios para que consigam exercer o seu papel. E sabe qual é a nossa função nisso tudo? Parar de bater panelas, pedindo mais divisão social, e lutar pela inclusão, pelo acesso, pela óbvia necessidade da coleta seletiva, pela extinção dos lixões, pela erradicação do trabalho insalubre nesses locais.

Lugares já estão se movimentando para mudar esse cenário. Seja você também essa mudança.

 

(Suellen Mara de Lima Couto, acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UEG – Campus Itumbiara)

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