Brasil

Aos adversários e amigos do Cristo

Redação DM

Publicado em 22 de maio de 2016 às 01:53 | Atualizado há 10 anos

Então começaram a dizer alguns habitantes de Jerusalém: “Não é a esse que procuram matar? Eis que ele fala publicamente e nada lhe dizem! Porventura, teriam os principais sacerdotes reconhecido que ele é verdadeiramente o Cristo? Mas nós sabemos de onde é este homem, ao passo que, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde será ele”.

Jesus, entretanto, ensinava no Templo, em alta voz, dizendo:

“Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou; no entanto, eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro e vós não o conheceis. Eu, porém, o conheço, porque venho dele, e foi ele quem me enviou”.

Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém lhe pôs a mão, porque não chegara a sua hora.

No entanto, muitos dentre o povo creram nele e diziam: “Quando vier o Cristo, fará, porventura, mais sinais do que este homem fez?”

Os fariseus ouviram o povo murmurar essas coisas a respeito de Jesus, e eles e os principais sacerdotes enviaram guardas para prendê-lo. Mas Jesus lhes disse:

“Ainda por um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou. Haveis de procura-me e não me encontrareis, nem podeis vir onde eu estou”.

E os judeus disseram entre si: “Para onde irá ele, que não o poderemos encontrar? Irá, por acaso, aos dispersos entre os gregos para ensinar aos gregos? Que significa esta palavra que ele nos disse: ‘Haveis de procurar-me e não me encontrareis, nem podeis vir onde eu estou’?”  (Evangelho de João, cap. 7, vv. 25 a 36).

Ao prosseguir com o seu discurso no Templo de Jerusalém, durante a Festa dos Tabernáculos, Jesus enfrentou a animosidade de alguns habitantes de Jerusalém que não acreditaram ser ele o Messias e não aceitavam a sua conduta pública e a omissão dos sacerdotes. Esses indivíduos argumentavam que a origem do Messias seria desconhecida enquanto todos conheciam a origem de Jesus. No entanto, eles estavam esquecidos de que o Messias, segundo os profetas, viria da descendência de Davi (Samuel 7:12, Isaías 11:1 e Jeremias, 18:15) e que nasceria em Belém de Judá (Miquéias 5:2).

Também o Mestre informa aos seus interlocutores que se deve buscar a procedência espiritual do Messias e não a sua origem física. Os adversários do Cristo, porém, além de não conhecerem a Deus, tampouco poderiam reconhecer o Seu Filho Salvador.

Enquanto os representantes dos sacerdotes e seus seguidores queriam a prisão do Messias, a maioria do povo acreditava nele porquanto ele falava com amor e autoridade, curando e consolando os muitos corações enfermos, desfalecidos e cansados. Ainda assim, um mandado de prisão já havia sido expedido, mas ninguém ousava prendê-lo e confrontar o povo que estava convicto de ser Jesus o Messias tão esperado. Por isso, muitos diziam repetidas vezes: “Quando vier o Cristo, fará, porventura, mais sinais do que este homem fez?”. Declarações dessa natureza irritavam ainda mais os principais sacerdotes que enviaram guardas para prenderem o Mestre. Como se verificará, nem esses guardas conseguiriam prender o divino Messias porquanto ficaram impressionados com as suas palavras sábias e consoladoras.

Jesus, em sua perfeita sintonia com Deus, prosseguia o seu discurso consolador, esclarecendo que a sua permanência nesse planeta seria breve. Ele deveria retornar ao seio do Pai e não mais seria encontrado no plano corpóreo. Para onde o Mestre iria, ainda não seria possível ir para os que ainda se encontram arraigados no processo evolutivo dos mundos corpóreos. No entanto, todos nós, ovelhas do seu aprisco, um dia haveremos de participar do banquete divino da convivência com Jesus no seu Reino de Paz e de Amor.

Há uma tendência comum de não valorizarmos os espíritos superiores ou de acentuada evolução espiritual devido ao simples fato de se encontrarem em nosso meio ou convivendo conosco. Gênios, santos e heróis, que vivem com amor e simplicidade, quase sempre são vilipendiados, perseguidos ou assassinados pela inveja corrosiva da ignorância humana. Não raras vezes, esses espíritos amigos e consoladores sofrem incompreensões e perseguições no próprio ambiente doméstico, conforme ocorreu com Jesus.

Até os dias atuais, Jesus é rejeitado como o Messias por parte do ambiente religioso, por meio do qual obteve a sua formação religiosa durante a infância e a juventude. Aqueles judeus que não aceitaram o Cristo souberam manter suas posições até os dias de hoje porquanto ainda esperam a vinda do Messias. No entanto, a grande maioria dos judeus que acreditou em Jesus, transformou em seus fieis seguidores, chegando a dar suas vidas nos circos da ignomínia romana. Mais tarde, o próprio Império Romano reconheceria a grandeza da mensagem do Cristo graças à persistência daqueles judeus. Ainda, devido ao trabalho desses judeus que compuseram o Cristianismo Primitivo, temos a mensagem do Mestre cada vez mais viva a cada século. O exemplo do apóstolo Paulo, o proeminente judeu e doutor da Lei, representa o respeito diante da mensagem viva do Mestre, reverência espargida entre os judeus e outros povos.

Até mesmo as tradições judaicas que não aceitam Jesus como o Messias esperado, sabem respeitar os seus ensinos e exemplos, mantendo uma convivência pacífica e de profundo respeito com os cristãos. Aliás, os judeus têm dado inúmeros exemplos de honradez em diversos setores da vida e nas sociedades onde vivem. É evidente que a animosidade milenar que ainda perdura entre judeus e palestinos, em algumas regiões do Oriente Médio, reflete uma fidelidade religiosa devido às tradições entre os descendentes de Isaac e os descendentes de Ismael. Ambos, filhos de Abraão, que estiveram historicamente em posições opostas.

Verifica-se também, no ambiente cristão, a existência daqueles mais sintonizados com outros textos das escrituras do que com os Evangelhos. A vida de Jesus segundo os evangelhos ainda é pouco conhecida e estudada entre a maioria dos cristãos. Há adversários do Cristo não declarados em diversos seguimentos doutrinários cristãos. Raras vezes, quando esses líderes “cristãos” falam e escrevem a respeito de Jesus, demonstram as ausências do amor e do profundo respeito discipular. No entanto, na maioria dos casos, reina a mais absoluta indiferença. Essas atitudes nos fazem lembrar as palavras do Cristo:

“Hipócritas! Bem profetizou Isaías sobre vós denunciando: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; pois ensinam doutrinas que não passam de regras criadas por homens.” (Mateus 15:7-9)

Em muitos seguimentos cristãos, Jesus continua sendo o grande produto dos mercadores e dos ambiciosos em nome da fé. Há, no entanto, cristãos que não são discípulos rotulados do Cristo, mas que professam doutrinas não cristãs. Por isso, os seguidores de Jesus são os que fazem a vontade do Pai, não importando a denominação religiosa a qual pertençam (Mateus, 12:50).

Os verdadeiros discípulos de Jesus continuam sendo perseguidos até os dias atuais porquanto buscam e divulgam as verdades do Mestre por toda parte com abnegação. Há perseguições declaradas e, na maioria das vezes, muito veladas. Os principais perseguidores de Jesus não estão fora das hostes cristãs e sim fazem parte de sua Seara. São joios no meio dos trigos. Alguns são líderes outros são participantes de organizações cristãs, que se locupletam da boa fé e da ingenuidade de uma grande quantidade de adeptos incautos.

Ainda assim, a Providência Divina sempre protege os justos e generosos. Também confiemos no antídoto do Cristo ao recomendar: “Orai por aqueles que vos perseguem e caluniam” (Mateus, 5:44).

Lembremos ainda da recomendação do apóstolo Paulo: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar a ira de Deus, porque está escrito: ‘minha é a vingança; eu o recompensarei’, diz o Senhor. Não se deixe vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos, 12:19-21).

É da Suprema Vontade do Pai que adversários, simpatizantes e amigos do Cristo alcancemos a perfeição espiritual e nos reunamos para sempre em Seu Reino de Luz, de Amor, de Justiça e de Verdade.

 

(Emídio Silva Falcão Brasileiro, escritor, professor, mestre em Educação, pesquisador, advogado, doutor em Direito, orador e conferencista brasileiro)

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