Até agora a Ferrovia Norte-Sul não passa de um sonho
Redação DM
Publicado em 10 de novembro de 2015 às 22:44 | Atualizado há 11 anosApós 25 anos de espera da população brasileira, a presidente Dilma Rousseff inaugurou, no início do ano passado, o primeiro trecho da Ferrovia Norte-Sul, de 855 quilômetros, ligando a cidade goiana de Anápolis a Palmas, no Tocantins. A entrega foi recebida com muita expectativa pelos goianos, sobretudo pelos produtores rurais do Estado, que viram uma chance de ouro de escoar a produção para o norte com um frete mais barato. Pois, custo de frete para essa região do País, em razão da situação precária da infraestrutura rodoviária, é mais caro do que para o sul/sudeste.
Quase um ano depois, o que acontece é que tudo isso só ficou na esperança. Já chegamos ao fim do ano de 2015 e a estimativa, é de que a primeira viagem na Ferrovia só ocorra agora, no mês de novembro. Uma situação que além de frustrar as expectativas dos brasileiros, ainda penaliza os produtores em um ano de crise em que a agricultura pode salvar a nossa balança comercial. A Federação da Agricultura do Estado de Goiás, estimou, que o escoamento da produção via ferrovia ficaria pelo menos 30% mais barato.
Atualmente, os grãos do centro-oeste são escoados para exportação por meio dos portos do sul e do sudeste, quando o ideal, seria utilizar os portos do norte e do nordeste, muito mais próximos dos principais mercados consumidores, que são a China e a Europa.
Após a inauguração desse trecho da Ferrovia o que se viu foi uma transferência de responsabilidade do governo federal, que não planejou o início da operação e agora diz que o transporte de cargas só depende das transações comerciais que devem ser firmadas pela iniciativa privada. Envolto em uma crise que ela própria criou, a administração vê a desconfiança dos empresários, que temem ter que investir do próprio bolso em plataformas de embarque e desembarque e depois terem que arcar com o prejuízo.
A ferrovia norte-sul, em pleno funcionamento, poderia gerar uma economia de até 50 milhões de dólares para o escoamento da produção goiana por ano, além de somar dividendos para os mais de 30 municípios do Estado que estão na rota dos trilhos. Em vez disso, até hoje, o que se vê são apenas trilhos parados, infraestrutura que ainda não foi usada se desgastando, assim como o dinheiro do contribuinte brasileiro.
Tudo isso é apenas o desfecho já esperado de uma obra que, segundo o Tribunal de Contas da União, pode ter sido superfaturada em quase 600 milhões de reais. Como deputado federal, goiano e defensor ruralista espero, torço e trabalho para que essa situação mude. Pois, até hoje, é preciso admitir que a Ferrovia Norte Sul não passa de um sonho, de mais uma conta do mau planejamento, que, somos obrigados a pagar.
(Roberto Balestra deputado federal pelo Partido Progressista, presidente da Comissão de Política Agrícola, da Frente Parlamentar Agrícola, vice-presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, coordenador da Região Centro-Oeste da Frente Parlamentar da Assistência Técnica e Extensão Rural)