Colômbia merece mais a atenção do Brasil
Redação DM
Publicado em 6 de dezembro de 2016 às 01:30 | Atualizado há 10 anosA solidariedade inusitada do povo colombiano no acidente trágico da Lamia, provocando praticamente a morte de um time inteiro da Chapecoense e de uma redação de notáveis estrelas do jornalismo esportivo brasileiro, despertou o Brasil para a Colômbia.
Se caísse uma pergunta no vestibular sobre àquele país, poucos candidatos a uma vaga na faculdade saberiam responder exatamente onde fica exatamente. Exceto Argentina, Chile, Peru e Uruguai, o brasileiro em geral tem as costas viradas para o continente latino-americano. A pouca exceção fica por conta do futebol.
Trata-se um país que em seu nome procurou homenagear Cristóvão Colombo, o navegador genovês, que descobriu o continente latino-americano nos idos de 1492. Em tempos modernos, a Colômbia detém uma longa tradição do governo constitucional.
Medelín, capital do estado de Antioquia, ficou famosa pelo cartel de traficantes de drogas liderado por Pablo Escobar. Segundo a Wikipédia, esse cartel de drogas operou na Colômbia, Bolívia, Peru, Honduras, Estados Unidos, bem como no Canadá e na Europa durante as décadas de 1970 e de 80.
Estima-se que tenha faturado cerca de 60 milhões de dólares por dia e detendo 28 bilhões no total. A violência imperava no país. E deter seus líderes constituía tarefa praticamente impossível. Estavam envolvidos na trama maldita elementos considerados chaves da própria polícia. Finalmente, o grupo de Escobar foi definhando e ele afinal acabou pego e assassinado.
A Colômbia, apesar de tudo, reverteu a situação. Junto com o combate armado, chegaram também os educadores. Enquanto a segurança se restaurava nos bairros mais perigosos, o impulso de projetos tecnológicos, pedagógicos e culturais despertava uma mentalidade empreendedora nos país.
Apenas duas décadas depois, Medellín recebeu, em 2013, o título de “Cidade Mais Inovadora do Planeta”, segundo o Wall Street Journal e o Urban Land Institute. Tudo graças a parcerias do governo com empresas e instituições que vêm fomentando a inovação e criando soluções para problemas clássicos da região.
A economia colombiana é fundamentada primordialmente na pecuária e na agricultura. E é considerado o terceiro país mais rico da América do Sul. Fica atrás apenas do Brasil e da Argentina. O país tem uma enorme quantidade de recursos naturais. Sua população é estimada em 47,12 milhões de habitantes.
Na Colômbia, o produto agrícola de principal e maior produção é o café. Este produto é tão importante para o país que se o preço internacional do café cair, toda a economia colombiana sente o abalo. O produto é exportado, e é destinado principalmente aos Estados Unidos e aos países da Europa.
Além do café, também são cultivados em grandes quantidades a banana, a cana-de-açúcar, o arroz, cacau, mandioca, fumo, milho, algodão, e muitos outros. Mesmo com grande apoio nas importações de alguns de seus produtos alimentícios, o país não depende da exportação e se mantém estável por si só, pois que possui uma alta produtividade.
O território colombiano também é de muita ajuda, tanto que as planícies são altamente prestativas a pecuária nacional, esta por sua vez, se trata principalmente aos eqüinos, caprinos e bovinos. Outros setores importantes na economia são as criações de aves e a suinocultura. Já as indústrias, produzem desde alimentos, couro, roupas e bebidas até transportes e máquinas.
Os colombianos possuem grande reserva de carvão e são os maiores produtores de esmeraldas do mundo.
Como retribuição àquele povo, entendo que o Brasil deva abrir suas portas, recebendo-os de braços abertos. Ao invés de jogar dinheiro fora, com os supostos investimentos em Cuba, Venezuela e Bolívia, investir na Colômbia será uma voz da razão e do bom senso.
O BNDES se quiser continuar contribuindo para o desenvolvimento de nações latino-americanas não pode mais continuar de costas viradas para um país sério como àquele povo que nos deu a alma sem pedir nada de volta.
PS: Honro tributos à memorável figura de Maurício Sanford Fontenelle. Goiás perdeu um de seus benfeitores e, sobretudo, um dos pioneiros na cafeicultura moderna da região Centro-Oeste. Num dos próximos artigos me disponho a abrir maior espaço a ele.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histradut, em Tel Aviv, Israel, e autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)