Como a própria sociedade ocidental, via marxismo cultural e via ingerências erradas
Redação DM
Publicado em 23 de novembro de 2015 às 22:34 | Atualizado há 11 anosDando continuidade ao estudo psiquiátrico que estou fazendo do terrorismo muçulmano em Paris (artigos publicados no Diário da Manhã – dmdigital.com.br – em 17.11.15 e 20.11.15) , cito as inteligentes opiniões de dois leitores:
R.C. diz: Marcelo, é importante o desenvolvimento teórico que elucida a origem destas práticas terroristas.
Eles não são diferentes de nós. Apenas tem uma formação que propicia, favorece o extremismo. Como exigir atitude diferente dum sujeito com mais dezenas de irmão, dividindo além da pobreza mental dos seus pais, a enorme pobreza material…? Impôr-lhes a individualidade, cuidados pessoais, respeito ao próximo, à propriedade privada é utopia… A resolução do problema q eles criam à nossa sociedade ocidental, matando à revelia quem quer que seja e se explodindo depois, é muito mais difícil, complicada e longa, do que gostariam os controladores de drones militares…[ estratégias do “ocidente”]
Depende muito mais deles do que de qualquer retaliação contra eles… E o pior é que os tiros podem sair pela culatra!
Exatamente como um velho e bom ditado popular:
“Leva-se o cavalo até a beira do rio.
Fazer o bicho beber água já é outra conversa…”
F.C diz: Marcelo, aqui temos uma situação: O multiculturalismo, imposição do Marxismo Cultural à sociedade ocidental (Escola de Frankfurt, Politicamente Correto) que é vendido como uma forma de “respeito” e “igualdade”, uma forma de espírito “anti-opressor, anti-autoridade”, ao invés de servir como elemento de união entre os povos, como os progressistas defendem, serviu como elemento desagregador e discriminador, criaram-se guetos onde determinadas pessoas só podem andar e se portar como se estivessem em países e culturas distantes dezenas de milhares de quilômetros. O choque entre o jovem que sai desse caldo e encontra na esquina seguinte uma sociedade ocidentalizada, pulsante, moderna, “livre”, tudo diferente do que ele está acostumado no gueto multicultural onde foi jogado, alimenta essa cadeia já descrita por você. Temos aqui uma prova inconteste da falha das teorias progressistas, pois são anti-humanas e anti-naturais: esperar que num mesmo prédio residam e convivam bem um casal gay, um casal hétero conservador, um cristão evangélico e uma família muçulmana cujas mulheres usam burca é a gênese do erro progressista, evidente que todos irão se dispersar em “tribos”, guetos, bairros, distintos, um alimentando ódio e outro alimentando medo e nojo.
Os terroristas se aproveitam do politicamente correto para atacar a sociedade ocidental, é essa “falha do sistema”, esse “bug”, chamado progressismo, causa e efeito da crise atual e será através dele que as forças anti-ocidentais se lançarão. Evidente que o progressismo, como projeto gramsciano comunista anti-ocidente, deseja o fim da sociedade ocidental tradicional e impôs uma ditadura cultural que pauta as agendas do ocidente atuais (anti-religião, anti-autoridade (inclui os médicos), anti-poder, anti-dominação) mas ao ser permissivo com forças ocultas e bárbaras, aqui representadas pelo jihadismo, meramente por serem coincidentes na crítica ao ocidente cristão tradicional, será também alvo dos “amigos muçulmanos” que na hora do ataque ao ocidente não irão diferenciar o ocidental tradicional religioso padrão do ocidental progressista socialista anti-poder e pró-palestina, todos morrerão sob as balas do AK 47 jihadista.
Por isso que progressistas ainda tentam culpar a “islamofobia” e o “capitalismo” pelos eventos, pois assumir que os jihadistas são assim pois é de sua natureza e que as próprias politicas “made in Teoria Crítica” (Escola de Frankfurt) é que geraram essa gosma de ódio sem direção seria assumir que eles erraram em toda a sua vida… Mas como iluminados que são jamais aceitarão isso, gritarão até a morte que a culpa é do capital, quando o garoto do gueto multicultural paquistanês da esquina for aliciado e pegar em armas para matar os moderninhos do cine cultural da esquina.
Quantos ataques terroristas sofreram países que optaram pela cartilha da Teoria Crítica e não impõem sua cultura e língua aos imigrantes, como França e Inglaterra? E quantos ataques sofreram países que impõem sua cultura aos estrangeiros, como a Alemanha, que abandonou a política multikulti anos atrás?
Eu digo: …é… brilhantes comentários, R.C. e F.C. dá muito a pensar… São visões diferentes de como no seio da própria Sociedade Ocidental há algo contraditório (“usar do mundo muçulmano” e “ser gentil com o mundo muçulmano”) e esta contradição gera um paradoxo mortal para ela mesma. Assim é a vida moral: não aceita compromissos, não dá para ser “meio-moral”, “meio-bom”. É como aquele pai ou aquele pedófilo, que é bonzinho demais com a criancinha, em todos aspectos, e depois lhe passa a mão nas partes íntimas. A moralidade é algo límpido, não aceita turvação de modo algum. O Ocidente, conforme discutido acima, ora “sacaneia” com o mundo islâmico , ora “é bonzinho com ele” e aí, como aquela criança vítima de incesto, uma hora ela vai lá e mata o pai. Como já dizia Hegel, é uma tese contraposta a uma anti-tese (antítese) em busca de uma síntese.
(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra, artigos as terças, sextas, domingos – [email protected])