Brasil

Como o Estado brasileiro vem sendo tomado por interesses pretensamente humanísticos

Redação DM

Publicado em 28 de dezembro de 2015 às 23:40 | Atualizado há 11 anos

Só porque colocam um médico psiquiatra na saúde mental do Ministério da Saúde, os ataques antimédicos começam severos, tão severos que pacientes e funcionários públicos, ativistas “antiautoridade”, ocupam hoje a coordenação de saúde mental do Ministério. A causa principal de tanta revolta  é uma possível  maior valorização de hospitais psiquiátricos conveniados com o SUS  e o consequente o medo da diminuição dos empregos públicos em centros psicológicos governamentais. Explicando: “Menos médicos,menos hospitais, significa mais  centros psicológicos do governo”, e consequentemente, mais empregos públicos. Para justificar “humanisticamente” esta “cabidolândia” (os esquerdistas são mestres na mistificação do corporativismo estatal por “causas nobres”) os argumentos são tão abundantes quanto falaciosos: 1- “Vamos abolir a autoridade médico-hospitalar”. 2- Vamos “salvar os doentes mentais das masmorras”. 3- “Saúde mental é liberdade”, não é doença, não é reducionismo biológico. 4- “Vamos abolir o capitalismo”, os “empresários da doença”. 5- “Vamos colocar os doentes mentais, aqueles que são vítimas da truculência dos psiquiatras”, do nosso lado, a favor de nossa causa “ideológica” (que, como vimos aí acima, de ideológica não tem nada: o que se visa é mais emprego público, puro e simples). A única coisa que não querem abolir é o Governo Ditatorial que eles apoiam a preço de ouro, ouro pago por nós, os “abomináveis”, diga-se de passagem. Este mecanismo de “defender o que é público” – quando na verdade o que se defende mesmo é mais emprego público – contamina toda a vida nacional, sobretudo na classe média, pois, perigosamente,  fomos induzidos pelo próprio governo a termos no Estado uma das poucas únicas fontes de renda que sobraram (a asfixia estatal da iniciativa privada explica isso).

Para ilustrar na prática o que estou dizendo, trago alguns dados.

1- Alguns dados estatísticos de dez/2014, região de Goiânia: 80% dos Centros psicossociais do Governo não dispunham de médicos psiquiatras. 85% de diagnósticos de esquizofrenia equivocados feitos nestes locais.

2- É muito fácil engambelar em psiquiatria: a) dê haldol+fenergan para todo mundo, dopando-os. b) deixe-os dormindo o tempo todo num quarto escuro. c) fumando , engordando e bebendo café. d) mesmo sem médico, mesmo sem psiquiatra,  uma vez por semana leve-o para  conversar, socializar, desenhar, colar,  dizendo pomposamente que está recebendo  todo necessário e humano “apoio psicossocial” numa equipe multiprofissional.

3- Quando ele for para a rua, para o crack, álcool, prostituição, diga que é problema social, não médico. Como o problema é social, arrume moradia e dê um salário para esta população de rua. “Resolverá” o problema.

4- Quando suicidar-se, diga no Atestado de Óbito, que morreu por “intoxicação exógena” (para esconder envenenamento), “parada respiratória” (enforcamento), “acidente com arma de fogo”. Quando matar, diga que foi “homicídio”, problema jurídico-policial, não médico. Se cometer crimes, leve-o para cadeia, não para o hospital. Se morrer na rua, diga que foi atropelado, afogado ou morreu por “parada cardiorrespiratória”.

5- Quando estiver com discinesia tardia (lesão cerebral por remédios psiquiátricos errados) diga que o problema é neurológico. Quando estiver gordo demais, diabético, diga que é endocrinológico. Problema pulmonar, quando estiver com enfisema . Problema estomacal e intestinal por gastrite e enterite de abuso de café. Bem… você já sabe como fazer, não precisa explicar mais.

Pronto!! Se você seguiu todos os passos, como nosso Governo fez, parabéns! Você acaba de tornar-se uma referência  mundial  em “Saúde Mental”.

 

(Marcelo Caixeta, médico e psiqui-atra)

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