Brasil

“Coxinhas” de Goiânia ouçam-me

Redação DM

Publicado em 18 de agosto de 2015 às 21:42 | Atualizado há 11 anos

A insatisfação da classe média alta que foi às ruas nesse domingo, dia 16, numa tentativa de consolidar o terceiro turno das eleições para PSDB, deixou o seguinte diagnóstico: o Brasil é um País dividido por ignorantes do tipo A e ignorantes do tipo B, todos com fator RH negativo.

Os do tipo A, os chamados coxinhas, a chamada classe média alta, danificada por coisas do tipo cotações do dólar, entre outras que a impedem de viajar para os Estados Unidos e Europa, foi à Praça Tamandaré e quarou o porrete. Já os do tipo B, inventados por Lula, cuja renda mensal está em torno de R$ 1,5 mil por mês, vítima da rede da desinformação sobre as reais questões em jogo e que estão levando o País a essa crise, primeiro econômica e, consequentemente e em segundo lugar, política – esse tipo de cidadão B, classe média baixa – estão sendo conduzidos pelo arrastão ideológico dos provedores do conhecimento social, a imprensa de discurso parcimonioso, como é o caso da revista Veja, e agora catalisada pela Globo e afiliadas – a Globo doravante terá papel enti-histâmico (antialérgico). Ela será a água benta do governo do PT, até porque para ela seria uma grande chance de pôr em dia suas contas com o fisco.

Se fosse a crise, num possível governo do PSDB, estaria o povo nas ruas? A questão é que temos ojeriza de pobre, e o PT é coisa de pobre. A corrupção do PT é mais suja do que a nossa; ela é desqualificada, ela é produzida por uma classezinha de pés-rapados que nunca viram nada na vida e, agora que tiveram uma nesguinha de poder, estão se achando.

Essa coisa chamada Brasil, pra não dizer outra coisa, sempre oligopolizada e dominada secularmente por oligarquias que se construíram em cima da infraestrutura da corrupção, parece não ter cura, é um problema sanguíneo, medular, desde os tempos da coroa. Esse diagnóstico qualquer balconista de farmácia pode dar: o verme no sangue subiu pra cabeça e lá causa a epilepsia de nossas crises econômicas e sociais.

A exemplo, desde a queima do café, na década de 30, o Brasil sofre as consequências das mudanças no panorama econômico mundial por ser um País de economia primária, ou seja, o país é produtor de commodities. Quando o mundo, por uma questão ou outra, para de consumir, nós emperramos, e aí vem a desgraceira.

Outro exemplo: nossa participação na produção tecnológica, que hoje é o que importa, é pífia. Para se ter ideia, nós somos o maior produtor de nióbio (minério raro – commodities) do mundo, mas não temos condições de produzir, com tecnologia própria, bens estratégicos utilizando esse minério para o enfrentamento de uma economia globalizada. A compra dos caças multifuncionais Gripen, da sueca Saab, seria a alternativa para a transferência de tecnologia, e assim serem transferidas para nossa indústria, mas a coisa não anda, emperra e pressões internacionais impedem que o país se torne tecnologicamente independente. Mais de 90% da tecnologia de ponta no mundo estão contidas nesse caças.

Fato curioso, mas longe da percepção dessa corja de ignorantes que vai às ruas sem o devido domínio do fato e do que seja realmente a pátria amada: a destruição da base de Alcântara,no Maranhão, segundo a imprensa apostatada, tem o dedo da França, que possui base de lançamento de foguetes em sua colônia, a Guiana Francesa. Com a base de Alcântara seríamos forte concorrentes dos franceses para “lançar foguete no espaço”. Quem quereria um Brasil superpotência?

A China, atualmente nosso maior parceiro econômico, parou de comprar nossas mandiocas e nossas bananas, como todo mundo, e agora a “marolinha” chegou e a culpa é do PT, é da Dilma. Se estivéssemos vendendo bem nossas porcarias na feira do mundo, estava todo mundo feliz, alegre e sorridente, mas, não, o país virou uma xepa.

Vamos retomar aos coxinhas enfezados…

A situação está enormemente politizada. A Polícia Militar de São Paulo inflacionou ao máximo o número de participantes na Paulista. Geraldo Alckmin deve ter dito para a PM de lá para estufar a passeata. O Datafolha disse em torno de 135 mil pessoas, já a PM do PSDB de Alckmin disse 350 mil. Em Goiás, a PM do Marconi Perillo reduziu para um chocho 10 mil o número de participantes na Tamandaré. Dois governadores do mesmo partido, mas com intenções diferentes. Isso é uma prova do dilema causado pelos interesses políticos que envolvem e potencializam a crise: Marconi necessita de Dilma para tocar o Estado, já Alckmin joga o Estado contra a presidente porque quer seu lugar.

Não se pode defender o PT, ele é indefensável, mas esse país é ingovernável sem propina, corrupção e os outros etcs de sua política. Lula teve que curvar-se ao esquema, Dilma teve que curvar-se ao esquema. Todos se curvaram.

Sem mudanças no epicentro da crise, que é historicamente política, jamais teremos êxito em desatolar o país. Estamos vendo o Congresso falar de crise pra cá, crise pra lá, mas e a reforma política, sem a qual o pais não anda? Por isso nomeou-se aqui dois tipos de ignorantes: os brasileiros do tipo A e os do tipo B.

 

(Waldemar Rego, jornalista, escritor e artista plástico [email protected])

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