Brasil

De expropriações e socializações

Redação DM

Publicado em 20 de dezembro de 2016 às 01:45 | Atualizado há 10 anos

Esse ano de 2016 foi uma loucura! No plano nacional, além da crise econômica a que nos levaram os governos petistas, tivemos também a crise política que resultou no impeachment de D. Dilma, bem como na prisão do presidente da Câmara dos Deputados e (quase) a do presidente do Senado Federal. Em escala global sucederam-se guerras, massacres, naufrágios, bombardeios, secas, inundações, desastres de avião e até a eleição do imponderável Donald Trump … É ou não é de tirar o fôlego?

Rezemos para que até a meia-noite de 31 de dezembro nada de dramático aconteça. Porque em matéria de maluquices nada há que detenha o fluxo constante delas – logo disseminadas ad nauseam pela mídia.

Assim é que circula na internet a notícia de que, na última lista de beneficiados da Odebrecht, consta o nome da senadora amazonense Vanessa Grazziottin, do vetusto PCdoB (Partido Comunista do Brasil), autoproclamado agente de salvação nacional. Trata-se da mesma parlamentar que sempre se coloca como defensora dos humildes, da democracia e da moralidade pública, esgrimindo argumentos fundados no velho Marx, bradando contra a elite retrógrada que se locupletou ao longo de 500 anos de História deste País.

Pois é: a senadora amazonense recebeu da notória empreiteira a contribuição de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais). Informa Sua Excelência que tão modesta soma (e outras mais) foram objeto de prestações de contas “analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”. O que não chega a ser novidade: na mesma relação está o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Bisneto, tucano de resplandecente plumagem, que se explica com argumentos similares.

Se pensarmos melhor, entretanto, algo parece discrepante: enquanto o PSDB assume que aceita (com restrições) a economia de mercado, o credo comunista é a favor da estatização dos meios de produção.  Parece óbvio que à Odebrecht e às suas coirmãs não interessaria a implantação do regime comunista. Em assim sendo, teria a empreiteira contribuído inadvertidamente para uma hipotética revolução que levaria à ditadura do proletariado no Brasil?

Parece ingênuo supor que aquela megaempresa tenha agido de forma improvisada. De onde a conclusão: convictos da perenidade do consulado lulista, seus dirigentes estariam buscando manter-se articulados com os velhos aliados da coligação PT/PCdoB. Dessa forma, garantiriam benesses e privilégios, que seriam retribuídos aos políticos com doações do Setor de Operações Estruturadas, o das propinas?

Voltemos, porém, à grana generosamente doada pela Odebrecht à candidata do PCdoB. Na mídia escrita e falada, comenta-se que a senadora, para justificar-se, teria alegado “motivos altruístas”. In verbis: “Todo mundo sabe que nós, comunistas, fazemos militância política por ideologia e não por qualquer vantagem financeira. O dinheiro que eu recebi era considerado (…) como um ato de expropriação contra a burguesia e por isso nós socializávamos com os pobres”. Ou seja: a verba proveniente da empreiteira capitalista era destinada à compra de votos de eleitores contrários ao capitalismo… Esquema para coronelão nenhum botar defeito!

Essa história de expropriação é antiga: entre nós, os mais velhos, quem não se lembra dos assaltos a bancos, perpetrados por terroristas nas décadas de 1960 e 1970? Havia organizações que tinham setores especializados em fazê-lo; grandes somas foram assim arrecadadas para custear a implantação de uma ditadura marxista em nosso país.

O mais notório é o caso do chamado “cofre do Ademar”, que continha milhões de dólares e, de forma espetacular, foi roubado de uma mansão em Santa Tereza (RJ) por  combatentes esquerdistas. Sua destinação maior permanece nebulosa – mas há um episódio que lhe é pertinente, publicado em uma revista, de cujo nome não me lembro.

Vivendo na clandestinidade, a jovem Stela (Dilma Rousseff) e a companheira Iara Iavelberg estavam saudosas de um bom corte de cabelo, de manicure, pedicuro, hidratação, limpeza de pele… Socializando em benefício próprio uma pequena fração daquela montanha de dólares, elas resolveram ir ao famoso cabeleireiro que funcionava no Copacabana Palace. E ali passaram a tarde, cuidando de si mesmas, que ninguém é de ferro!

Em tempo: parece que a entrevista da senadora Graziottin sobre a “socialização das doações” é brincadeira de internautas. Fica o registro.

 

Lena Castello Branco,[email protected]

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