Democracia para Cuba
Redação DM
Publicado em 25 de março de 2016 às 02:02 | Atualizado há 10 anos
Nas primeiras notícias sobre a visita de Barack Obama a Cuba informava-se que ela seria apenas por um dia. Durou três. Foi muito bom, porque ensejou que o presidente norte-americano fizesse vários pronunciamentos, ouvidos com grande interesse pelo povo cubano, eis que habilmente dirigidos aos dirigentes políticos da ilha. No amplo espaço de um teatro de Havana inteiramente lotado, público superatento, constituído de pessoas de todos os níveis intelectuais e profissionais, Obama deixou claro que o fim do embargo econômico, somente ele, não deve nem pode ser o único resultado do restabelecimento das relações entre as duas nações. Desasfixiar os 12.000.000 (doze milhões) que constituem a população de Cuba das cruéis consequências do embargo esmagador que começou em 1961 é, obviamente, a providência essencial para que Cuba se reinsira alvissareiramente na economia mundial. Mas o país, que hoje é dirigido por Raul Castro, irmão de Fidel, anela por muito mais que isto. Sonha aspirar o oxigênio de instituições e práticas que representem o exercício pleno da Democracia em todos os seus planos – político, econômico, artístico, intelectual.
ABarack Obama falou, em reunião bastante concorrida, com as lideranças representativas dos diversos segmentos que divergem do sistema e do regime político e econômico vigentes em Cuba. Manteve encontro, portanto, com a oposição cubana. Manifestou a tais lideranças a disposição do seu governo de manter empenho continuo e permanente pela adoção por parte do governo de Cuba de reformas políticas que venham a significar não a redemocratização mas a democratização do país. Não redemocratização, porque nunca houve democracia em Cuba. Desde a Revolução de 1959 a famosa ilha vive permanentemente sob regime revolucionário. E antes dela, como todos sabem os cubanos conheceram somente ditaduras.
Ouvidos – como se viu pela televisão – sobre as manifestações de Obama dos últimos dias 20, 21 e 22, muitos cubanos, homens e mulheres, disseram ter gostado muito das suas ideias, das suas preconizações e da sua disposição. Para os cubanos a eliminação do embargo, sobretudo quando se traduzir em medida definitiva, vai abrir o caminho para uma vida digna e animada por indispensáveis estímulos e que o caminho a ser palmilhado tem o destino da democracia.
Passaram-se 25 anos entre a primeira e a segunda das minhas visitas a Cuba. Na de 1989 estava-se no último ano (Era Gorbatchev) em que a União Soviética ajudava o governo de Fidel com 1 milhão de dólares por dia, sem que essa ajuda se refletisse em diminuição da pobreza do povo e mesmo em qualquer melhoria para a infraestrutura da ilha. Com a queda da URSS e a hostilidade brutal de todos países capitalistas ao regime e à economia cubanos nenhuma perspectiva se apresentava de melhor futuro para Cuba. Foi o que pude sentir na visita de 2014, da qual fiz bom número de registros numa série de 7 artigos para este jornal.
Aconteceu a mudança de atitude dos Estados Unidos para com a ilha de Fidel com a atitude e a visão de grande estadista do Presidente Barack Obama. Os horizontes para a pátria de José Martí se tornaram magnificamente promissores. Oxalá essas belas perspectivas venham a se afirmar por meio do engrandecimento econômico e da implementação de um sistema e de um regime políticos verdadeiramente democráticos em Cuba, para que seu povo, cujas gerações em todos os tempos somente conheceram sofrimentos e lutas dramáticas, venha a ser feliz com desenvolvimento econômico, democracia política e paz social.
(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal às quartas & sextas-feiras – E-mail: [email protected])