Brasil

É hora de uma decisão

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 01:04 | Atualizado há 11 anos

Então, vamos ou não ter o impeachment da  presidente Dilma? Há razões, objetivas ou subjetivas para o impedimento? Se há, vamos votar logo. Se não há, que os debates políticos sejam num nível mais elevado, até que se juntem as provas ou então que se abandone de vez o assunto e o país possa seguir seu caminho. Que o governo possa governar. O Legislativo possa legislar. O Judiciário, possa resolver os litígios enfim, que o país tenha estabilidade em suas instituições para que funcione. Do jeito que está, infelizmente vamos piorar. Falam em estabilidade em suas instituições mas o que se vê é um país inteiramente à deriva, com um monte de boquirrotos a emitir opinião, a fazer previsões. Nem mesmo o Judiciário, que já teve melhores momentos, com juristas de mais saber e de mais recato, escapa ao mar de insensatez que, pode apostar, vai nos levando cada vez mais não para o fundo do poço, mas para o meio do lamaçal. É como se estivéssemos na nau dos insensatos ou na gaiola das loucas. Totalmente incompreensível esta estratégia  das oposições e, diga-se de parte da situação- suspeita-se que até o presidente Lula esteja comprometido com ela- de minar a presidente Dilma. De deixá-la sangrar politicamente. É preciso que se lembrem de que quanto mais demorarmos numa solução da crise política, mais nos afundamos na crise econômica e, por consequência, mais difícil e dolorosa será sair dela. Para o próximo ano já se fala em uma taxa de desemprego superior a dez por cento da massa trabalhadora. Uma pessoa desempregada, sem condições de assegurar sua sobrevivência e de sua família, é um perigo para as instituições pois torna-se altamente vulnerável à ação de populistas e golpistas.Sabemos disto, até pela nossa história recente. É preciso despertar para os problemas e para os riscos. Ou mudamos tudo, com o impeachment, ou procuramos um grande entendimento. Em qualquer situação, a definição é difícil. Já não temos líderes nem quem tenha perfil para isto. São todos de pés de barro.

 

(Paulo Cesar de Oliveira, jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report)

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