Brasil

É preferível a mordida de um cão animal

Redação DM

Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 23:26 | Atualizado há 11 anos

Carregada de tintas, diria até de certo modo borrada, é possível perceber como a tela do jogo da vida política da política brasileira é vivida como uma grande montanha russa ou um colossal ciclone daqueles que atravessa aquele país da América nortista que se junta em estados para fazer brotar seu nome como nação.
Sem olho clínico, mas, com vistas para sua descrição como se no retrato a sua foto estampasse além da imagem e cores, também, o som e o cheiro, enxergamos a política brasileira da vida política na maioria da minoria, assim como a minoria da maioria apresentar pontos alternados, mas, que para seguir o curso da história faz repiques ora acelerados, ora lentos quase parando, parecidos com os acordes de uma sanfona, também conhecida, dentre outros nomes por acordeon, instrumento musical muito popular no Brasil, principalmente durante os festejos juninos e especialmente na região nordeste. (Aqui abrindo um parêntese para rogar perdão aos artistas pela infeliz comparação, que só se dá em razão da popularidade desse instrumento musical, que é obviamente abençoado).
Muitos podem estar pensando e se perguntando: “M que balaio de gatos é esse?”
A resposta à pergunta é a própria pergunta, ou seja, a que todos já pronta, natural e antecipadamente identificaram como “i-n-i-d-e-n-t-i-f-i-c-á-v-e-l”. Exata e igual à sua é também a nossa estranheza. Eita política e políticos Brasil-leiros!!! É pergunta curta e direta com resposta para mais de infinitos ou incontáveis metros.
O Brasil vive hoje, especialmente no circo do cinismo e da delação premiada, uma situação análoga ao golpe de 1964, inclusive se observado a estatura, peso e o quilate dos envolvidos que apresentam unicamente por diferencial a incoerência no campo ideológico dos atores encastelados, dos que dão sustentação e dos opositores.
Excepcionando-se um ou outro que se define, manifesta ou se nomeia de centro ou de direita, tanto situação quanto oposição pousam de esquerda. O que se assinala claro é a ousadia e o despudor dos que foram pegos de calças-curtas e oleados pelos milhões de dinheiro parido na petrorroubalheira identificada, da em investigação e, ainda, da em julgamento e punição em curso.
Para sansão de dúvidas a analogia tem concretude no pensar esposado e há esposar tão somente nos já referenciados e no campo da mentira, tapeação e outros, mas não no regime. Este último por abjeto cabe tão só na mente de demente, o que ainda de nós não tomou controle, mas, que como mal e não por mau pode a qualquer um sujeitar. Rogamos para que Deus nos livre de tal já que do último buscamos abduzir pela vigília da fé.
Retomando o fio da meada, lembramos que agimos de atalaia em oportunidades advindas e coevas objetivando, sem ser palmatória do mundo e menos ainda do país, despertar consciências que dormitavam e creio ainda tardas para uma ação de correção de rumos que se apresentavam e continuam graves. O país é de todos, mas, a direção cabe a quem está no comando e conquistou a posição através da manifestação da maioria da população. Foi fraudulenta? Cabe a quem de direito corrigir. Dois caminhos pacíficos são legais: legislativo e judiciário. Cumpre-se o rito. Ouve-se acusação e defesa. Observar e respeitar todas as fases são obrigações legalísticas. Provado o dolo o caminho é a cassação.
Por princípio e formação entendo a lealdade como mandamento divino. Delação não é testemunho e sim traição. Só delata quem participa de uma empreitada. Em sendo correta no campo religioso, negocial, político ou outro qualquer é traição. Em sendo incorreta não se pode considerar empreitada, mas, delinquência e por isso mesmo quem participa é farinha do mesmo saco, tampa do balaio e é deles e a eles que os legalistas se obrigam a extrair toda a sujeira e apurar os atos e os fatos por uma razão simples: num covil de lobos só os lobos sobrevivem porque os objetivos são coletivos; num covil de homens só os lobos sucumbem porque os objetivos são individuais. É por tal assertiva que se conclui que é preferível a mordida de um cão animal à traição de um homem cão.

(Miron Parreira Veloso, jornalista, radialista, escritor, bel. C. Contábeis – G. Público. Livro publicado: Gestão Pública – Prática e Teoria – UEG)

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