Brasil

Esperança concreta

Redação DM

Publicado em 31 de outubro de 2015 às 21:49 | Atualizado há 11 anos

Quando a vida nos pede  testemunho  verificamos qual o  grau de comprometimento que temos  com a religião que abraçamos. Considerando-nos espíritas-cristãos, lembramos a fala de Jesus comentada por Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier em O Livro da Esperança na página “Espiritismo e nós”, analisando o versículo 15 do capítulo 14 do Evangelho de João:“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.“ Questiona o benfeitor espiritual quanto a nossa capacidade de amar e guardar os  mandamentos do Cristo.

Estaremos amando a Deus, sobre todas as coisa, e amando ao próximo, como a nós mesmos? Será que estamos, ao menos, sabendo amar a nós mesmos? Amar a Deus sobre todas as coisas do mundo seria, simplesmente, priorizar a vida espiritual.

Diz o iluminado Espírito Emmanuel que   somos  um presente de Deus e  que nos tornamos  o nosso presente para Ele, caso nos esforcemos

para termos os valores esperados. Para isto, devemos ser previdentes para não nos tornarmos um presente de grego. Sendo filhos, procuremos viver na casa do Pai, seguindo suas orientações, dando ouvido à Sua voz, escutando a própria consciência. Ao prosseguir na   jornada que nos compete,   descobrimos que fazemos parte da epopéia universal. E sendo assim, o que acontece com o outro, pela mesma filiação divina, nos diz respeito.

Recentemente o jornal O Estado de São Paulo de 03 de setembro de 2015, na entrevista com o  brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que faz parte da Comissão de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) para crimes na Síria, registrou que é preciso fazer mais pelas vítimas do conflito, que

foram forçadas a fugir de suas casas e pedir proteção. Defende o brasileiro, líder da Comissão da ONU: “É imperativo que a comunidade mundial atue com

humanidade e compaixão, devolvendo canais legais de migração que aumentem o espaço de proteção para refugiados.”

O problema é de todos. Não podemos nos eximir da responsabilidade de amparar os mais fracos, os perseguidos, os refugiados.

Um grande débito coletivo paira sobre a Europa, segundo a conceituação de Emmanuel, em 1938,  no livro psicografado pelo médium Chico Xavier,  A Caminho da Luz, no capítulo  O Evangelho e o futuro. Àquela época afirmou o instrutor espiritual que o continente europeu iria ser chamado ao grande reajuste.

É o momento para   opção mais  humana e mais sensata:  o amor e a fraternidade. Esta opção simplesmente reconhece que, durante séculos, o continente Europeu figurou como o opressor, o invasor de terras próximas e distantes, como a própria América, África e  Ásia.

Conclui-se, então, que estamos diante de um grande desafio, para compreender que o problema é de todos nós. Quando ainda encarnado, Chico Xavier dizia que, se o carma coletivo de algumas populações é devido à Lei do Resgate, o daquelas outras populações que acompanham esse sofrimento é justamente o dever de amenizá-lo, tanto quanto se faça possível. Dizia o memorável amigo: “A única esperança que temos é entendermos nosso papel de irmãos, uns dos outros, filhos do mesmo Pai amoroso e compassivo que nos criou para a fraternidade legítima. Temos de exercitar a compreensão, a tolerância e a fraternidade que a Doutrina do Cristo nos preconiza. Temos de ser solidários na dor dos nossos irmãos infelizes, acolhendo-os com bondade, reconhecidos de suas necessidades básicas de sobrevivência diante da crise.” Atualmente, exemplo deste mesmo  comportamento  fraterno, nos dá o Papa Francisco, que acolheu duas famílias de imigrantes e pediu a todas as paróquias, comunidades religiosas, monastérios e santuários de toda a Europa que façam o mesmo e recebam, ao menos uma família, em gesto de solidariedade. Diz o sumo pontífice: “Diante da tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte pela guerra e pela fome, e que estão num caminho  em direção a uma esperança de vida, o Evangelho chama-nos a acolher os menos favorecidos e mais abandonados, para dar-lhes uma esperança concreta.”

 

(Elzi Nascimento, psicóloga clínica e escritora/Elzita Melo Quinta, pedagoga, especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem no DM aos domingos – E-mail: [email protected] / 062 3251 8867)

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