Brasil

Estoque paciência

Redação DM

Publicado em 11 de novembro de 2015 às 21:52 | Atualizado há 11 anos

Os índices negativos registrados nas datas comemorativas deste ano, 2015, foram amargurados por varejistas de diferentes setores. Com essa constatação, não há remédio que sossegue os ânimos e a preocupação dos lojistas para o período das festas de fim de ano. O clima de desconfiança é geral, pautado, mais ainda, pela sexta redução seguida do Icom (Índice de Confiança do Comércio – FGV), que recuou 2,3% em outubro, atingindo 80,6 pontos, o menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010.

Como contra fatos não há argumentos, a saída para o varejo é se preparar para a próxima batalha, planejando as estratégias e ações agora para, em 2016, colocá-las em prática, período que tende a ser levemente melhor, mas ainda cercado pela recessão, com a inflação prevista para atingir os 6,5%, levando à consequentemente retração da economia, e com o PIB batendo 2%, o pior nos últimos 25 anos.

Em função de todo esse histórico e prognóstico, é bem comum observar que as marcas estão com um grande estoque de coleções passadas, e que muitas delas têm dificuldade para enfrentar o problema: venda por meio de liquidação X perda de faturamento.

Essencial em qualquer negócio, o estoque pode ser classificado como a “alma” do varejo, quando bem organizado e administrado potencializa e agiliza os processos, mas, quando mal gerenciado, pode causar muita dor de cabeça e insônia. Essa dialética é constatada, inclusive, pelo próprio indicador da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), divulgado em outubro, que aponta que 37,8% dos empresários consideram seus estoques acima do adequado.

Para solucionar esse entrave, é imprescindível que o lojista acompanhe as mudanças do mercado e esteja sempre um passo a frente, entendendo, sempre, que o consumidor é dinâmico e que as vendas tendem a crescer, porém num menor ritmo e diante de um ambiente cada vez mais competitivo. Enxergando por essa nova ótica, e adotando algumas ações que são eficazes, em prol da troca de coleção, sem perder o faturamento e o estoque, é recomendada a adoção de pequenas liquidações ao longo do ano, independente das queimas de estoque e troca de coleções. Trata-se de uma estratégia adotada, por exemplo, no varejo americano, e, nesse caso, aconselha-se a realização de até quatro dessas ações anualmente, com duração de três a quatro dias. Além de pensar a dinâmica e selecionar os produtos que farão parte da liquidação, é imprescindível utilizar uma comunicação agressiva e eficiente, com uma boa “arte” e um bom visual merchandising, colocando os lançamentos na vitrine, mas buscando atrair o público para conhecer as promoções dos produtos mais antigos, no interior da loja.

Outra sugestão é antecipar coleções, como no caso dos produtos que costumam entrar em promoção nos meses de janeiro e fevereiro, como, por exemplo, os eletrodomésticos. O objetivo é já atrair a atenção do consumidor nos meses antecessores, que, inclusive, são favorecidos pela injeção do pagamento do décimo terceiro salário, fazendo com que, no início do ano, quando há despesas adicionais, com o IPTU, IPVA, volta às aulas e renovação do seguro, o estoque não fique muito alto.

Desta forma, se a ação for bem planejada e executada, o consumidor realizará um esforço financeiro “inesperado” para adquirir o produto. De todo modo, o que vai contribuir para que a venda ocorra, além do desconto, são também o bom atendimento, a oferta de uma boa experiência de compra, a agregação de um serviço qualificado, formas diferenciadas de pagamento, como: parcelamento sem juros e desconto para pagamento à vista, entre outras medidas que podem ser pensadas de acordo com o segmento de cada lojista e com o produto em questão.

Em linhas gerais e olhando pela perspectiva mais otimista, a crise até pode ser considerada benéfica, pois faz com que o empreendedor, nesses momentos conturbados, saia da zona de conforto, seja paciente e se reinvente, vindo a separar os “homens” dos “meninos”. Porém essa guinada deve ocorrer, num curto espaço de tempo, de maneira planejada e realizada, sobretudo, de dentro para fora.

 

(Angelina Stockler, graduada em Administração de Empresas e Biologia, com especialização em Administração Rural em UC Davis-Califórnia e MBA em Gestão de Franquias pela FIA/USP)

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