Brasil

Extensão rural como força inovadora e emancipadora

Redação DM

Publicado em 12 de dezembro de 2015 às 00:27 | Atualizado há 11 anos

Se a empresa passasse atuar, como no tempo da Acar-Goiás, fundada no principio filosófico de ajudar a comunidade a ajudar a si mesma, e, o outro técnico, fazer fazendo, expurgando, com ambos, o paternalismo de pão e circo do governo, cujo objetivo mor, não é outro senão o de abocanhar o voto subserviente-leniente da família beneficiária da Bolsa Família, eliminando, também, a burocracia, adequando sua estrutura organizacional, sublimando o ir e vir da corrente de informações aliadas a pesquisa aprimorada, bem como, a base de apoio destinada a preparar, capacitar continuamente, seu pessoal técnico, algo como se deveria fazer, com os milhões de professores brasileiros, ela como fez no passado, bem afiada, poderá fazer, no agora, mudanças capazes de promover, de forma diferente da Bolsa Família, um programa exemplar de inclusão social.

Para isto, o estado teria que acordar do sono hibernal a lei, no artigo 187, alínea II da constituição, ativada pode servir de alavanca, alavanca como aquela do pensamento de Arquimedes, capaz de emancipar os milhões de produtores de leite, na atual conjuntura, espoliados, “servilizados”, pelo atual cartel camuflado de laticínios. Sem Bolsa Família, sem paternalismo, porém, com ação, bem adestrada, de agentes de extensão, agentes estes, inspirados por uma política destemida, resoluta, onde, além de todos os instrumentos necessários ao seu bom desempenho, o crédito supervisionado a disposição dos produtores, suas famílias, associados ao social.

Isto aconteceu nos primórdios, quando a agricultura de subsistência, então, dominante, arcaica improdutiva, foi substituída, pela agricultura de mercado, moderna e produtiva. A política agrícola encetada pelo governo federal interagindo, harmoniosamente, com a do governo do estado, viabilizou, com a rede de extensão rural, a implantação de forma pioneira, dos ensaios: FAO-Anda-Abcar, seus informes inéditos, asseguraram credibilidade ao cerrado. Entretanto, a pesquisa ganha mais fôlego ainda, sete fôlegos, na década de 70, com a empresa, Emgopa.

Assim como construímos o edifício Extensão rural, com recursos oriundos de acordos, convênios com organismos regionais, como dirigente, compramos área de 20 hectares, em frente às escolas de Agronomia e Veterinária da UFG, destinada a construção do centro de treinamento do oeste, ali, mediante projeto, o Banco Mundial financiou sua construção, com isso, serviços relevantes passaram a prestar, tanto pré-serviço, como capacitação de pessoal. Pesquisa – ensino – extensão rural, em interação, com os programas de crédito rural: Proterra, Pim, Polocentro e Proleite, organismos outros do Centro-Oeste, promoveram o grande salto na conquista do imenso Centro-Oeste, constituído pelos cerrados, terras agricultáveis, mas, nos anos setenta do século passado, ainda, a espera de cultivo, incorporação, no processo produtivo nacional. Faltava política, ela se consumou, respaldada por estas forças vivas: ensino, pesquisa, assistência técnica e extensão rural.

O cerrado, dois terços do centro-oeste, até a década de sessenta, estava incólume, intocável, era desacreditado, carecia de máquinas agrícolas, pesquisas, calcário, fertilizantes, adubos orgânicos, assistência técnica e creditícia, para se transformar na força de progresso que aconteceu e está a acontecer, ainda agora. A plena interação dessas forças vivas, em marcha célere, gerou o Agronegócio, progresso agropecuário, aumento abrupto da produção agropecuária nacional, sem igual, nas exportações, formação de divisas, ora, principiando a rivalizar com a maior potencia do mundo, também, na produção agropecuária, os Estados Unidos da América do Norte.

Produtores, verdadeiros heróis anônimos, pioneiros inovadores, gigantes no ideal de trabalho, trabalho como ação benfazeja, construtivo, alargam, como alargaram os bandeirantes, os horizontes, com nova marcha cadenciada, rumo aos contrafortes dos Andes. Todavia, deixando, desta vez, na sua esteira, imensas áreas desbravadas, agregado, a elas, uma civilização inovadora, dotada de conhecimento tecnológico, nada a dever ao primeiro mundo, gerado no próprio solo brasileiro, aproximando, a cada ano, mais e mais, da vocação, há muito acalentada de celeiro do mundo. Assim, companheiros, companheiras de extensão rural, valeu a pena lutar, por ambas as obras: o Edifício Extensão Rural, o Centro de Treinamento, bem como, Emgopa, embora esta tenha sido extinta, vergonhosamente, pois, a pesquisa constitui o carro chefe de todo programa de desenvolvimento, como a extensão, suporte para emancipação da comunidade rural.

Fundada na filosofia de ajudar a família a ajudar a si mesma, e o principio técnico, fazer fazendo, abomina o paternalismo vicioso, no lugar da subserviência subsidiada, pelo desbotado paternalismo, insere, postula, pelo trabalho corajoso, valorado, produtivo, um eleito de Deus, porquanto, ao alimentá-lo de forma biológica, alimenta-o, também, espiritualmente, assim fazendo, preenche os espaços vazios da mente: mente vazia, oficina do diabo, causa mor de tanta gente desviada, para toda sorte de vícios perniciosos à saúde, como bebedeiras fora da conta, jogatinas perdulárias e a própria droga que vem mutilando, por culpa dos maus governantes, crianças, meninos abandonados nas ruas. O contingente, hoje, de drogados, é superior a seis milhões de brasileiros, quase todos, jovens.

O estado foi instituído para servir a sociedade, portanto, deveria ele, ser servo dela, no entanto, como a sociedade nunca foi instruída, educada pela escola, acabou se transformando em serva do estado, burra de carroça dos governantes, pois paga tributos de primeiro mundo, a nossa carga tributária é quase igual a da Alemanha, os impostos encontram-se embutidos, em tudo que se produz e consome, a arrecadação é quase excelência, no entanto, na hora de aplicar o orçamento público, fazem da forma mais trapaceira possível, superfaturando o erário, para forjar o caixa dois. O estado, em vez de fazer a extensão funcionar, ainda melhor do que no tempo de Acar, armou pela maquinação de seus assessores estrábicos, toda sorte de peias, armadilhas burocráticas, salários medíocres, para torná-la pouco requisitada, no seio da comunidade rural.

Naquela época, como resultante de seu trabalho altivo, metódico, criou-se centenas de associações que começaram a funcionar, algumas, engatinhando, no processo de motivação dos produtores à melhor comercialização, tanto na compra em conjunto dos insumos, para sua lavoura e criação, como na venda, em conjunto, de sua produção, em especial o leite, por ser a produção diária e os preços aviltados, pela intermediação gananciosa. A falta de política adequada do governo, na direção do organismo, descontinuidade no trabalho de assistência, arruinaram as associações. Contudo, quem paga a conta são os produtores, a sociedade no seu todo, cabe a ela, no sistema democrático, participar da vida política de seu município, estado, controlando a administração pública, dentro da ordem constituída, propugnando, pela volta do serviço de extensão ao que era, mormente, nas décadas de 60 e 70.

Nos produtos primários, colegas de Emater, destaca-se, como mais importante, a pecuária leiteira, seja pela sua presença efetiva nos municípios, mais de milhão de produtores, a grande maioria de pequenos e médios. Produção diária, o volume global, no último ano, foi de três bilhões e duzentos milhões de litros de leite, todo ele, comercializado, tanto no período da seca, como no das chuvas, abaixo do custo de produção. Preços insolventes ano todo, por falta de união da classe leiteira: do lado dos espoliadores, poucos, unidos, instruídos, grandes, acostumados a ludibriar os geradores da riqueza, riqueza que faz funcionar suas indústrias, vida gorda. No outro lado, pequenos, dispersos, desunidos, sem poder de barganha, negociação, vida magra.

Portanto, leitor vale a pena lutar, tanto por uma extensão vigorosa, mais do que antes, como pelo seu trabalho, desempenho singular, de emancipação socioeconômica da comunidade rural, produtora de leite, só a sua emancipação, prosperidade e bem-estar, justifica o trabalho de toda a Emater no Estado.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)

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