Brasil

Facciosismo e má-fé

Redação DM

Publicado em 26 de fevereiro de 2016 às 01:47 | Atualizado há 10 anos

Primeiramente, faço questão de deixar bem manifesto que a inversão de valores a cada dia mais chocante na política brasileira conduziu-me a total desmotivação para a mínima apologia ao partido de que fui um dos fundadores – o PMDB, simplesmente MDB nos primeiros tempos (antes do pluripartidarismo institucionalizado em 1980). Ou para defender o PT, que uma ou duas dezenas de representantes fizeram estigmatizado por tempo cuja duração é óbvia e naturalmente imprevisível. Sou inclusive de opinião que o povo brasileiro é hoje absolutamente indiferente à existência dos partidos políticos. Um quadro totalmente inverso ao dos Estados Unidos, cujos Partido Democrata e Partido Republicano têm grande número de fiéis seguidores.
Na conjuntura atual, como destaquei no artigo de anteontem, infelizmente as notas dominantes são o facciosismo do contingente jornalístico brasileiro que o, respeitável Mino Carta denomina “perdigueiros da informação”, serviçais de poderosíssima força midiática a atuar, dissimuladamente, a favor de setores e interesses antidemocráticos; e a má fé pode-se dizer criminosa de políticos inimigos da democracia, que querem se ver alçados ao poder custe o que custar, não lhes importando o preço que a nação pague como vítima do sujo que fala do mal lavado.
E por que sujo?
Eduardo Cunha não é o recebedor de propinas de milhões de dólares, que em grande parte ele remete para a Suíça, cujo Ministério Público fez questão de remeter para o Parlamento brasileiro – e para a própria Justiça do nosso País – informações as mais pormenorizadas sobre as contas suíças do peemedebista aliado da pior oposição? Os Aécio Neves, os Agripino Maia, os fariseus dessa pior oposição pedem o afastamento da presidência da Câmara Federal ou a cassação do mandato do peemedebista (teoricamente, pois, adversário, mas na prática companheiro) afundado até o pescoço na mais malfazeja corrupção? Pelo contrário: são mantenedores da sua posição, pois esta é das mais úteis aos seus desígnios ilegítimos.
Que no próximo pleito presidencial perca quem traiu a confiança popular ou não soube se conduzir com coerência, ética e eficiência: e que ganhe quem se impôs por suas propostas, por suas bandeiras, por sua identificação com os anseios populares. Que os fados nos livrem dos fariseus e não deixem faltar ao povo brasileiro o oxigênio da Democracia.

(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal as quartas & sextas-feiras – E-mail: [email protected])


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