Genealogia espiritual da humanidade
Redação DM
Publicado em 11 de novembro de 2015 às 22:34 | Atualizado há 11 anosA história do ser humano é a história da sua relação com Deus. Quer creia, quer não creia. Dizem que o ateu é quem mais fala em Deus, pela necessidade de negá-lo. Mas por vezes o crente também peca por achar que só ele fala com Deus. Na verdade, Deus fala a todos nós pela voz da consciência. Desde o homem primitivo ao homem civilizado que chegou à era tecnológica atual, tem ele a mesma estrutura psíquica e uma alma como instrumento de ligação com o Criador.
Conhecer a genealogia da humanidade desde a formação das primeiras raças é interessante para se conhecer também o principio da encarnação divina na pessoa de Cristo, para se explicar o passado e o futuro da criatura humana dentro de um processo evolutivo. Se foi preciso preparar-se para o advento do Cristo, faz-se necessário entender Cristo como mediador entre a humanidade e Deus, já que fomos criados à sua imagem e semelhança.
Da geração espiritualista
Em Jesus Cristo nos reconhecemos filhos de Deus assim como Cristo se fez reconhecer também filho do homem, sendo descendente de Sem, um dos filhos de Noé, que era da família de Set, terceiro filho de Adão e Eva e irmão de Caim e Abel. Não quer dizer que Adão tenha sido o primeiro homem a não ser de sua própria raça. Não se pense em Adão e Eva como primeiro homem e primeira mulher. Eles são fruto da evolução natural dos seres vivos criados por Deus, como os demais elementos orgânicos. Adão e Eva viveram antes de Cristo, mas já havia milênios de existência da espécie humana, antes de Adão e Eva.
Na mesma linhagem de Cristo está também Abraão, que foi um dos descendentes de Sem, filho de Noé, aquele que construiu a arca da salvação e sobreviveu ao dilúvio. Abraão e sua mulher, Sara, levando junto o sobrinho Lot, se deslocaram de Ur (hoje Iraque) para a Terra de Canaã (hoje Palestina ou Terra de Israel), onde Abraão se fixou, indo Lot para a planície de Sodoma, até quando as cidades do pecado, Sodoma e Gomorra, foram destruídas, restando salvos apenas Lot e sua família. Vale dizer, com Abraão começou a se formar a geração espiritualista do povo de Deus.
Da prole cristã
Vamos então nos filiar a essa infinita prole que nos liga a Cristo pela genealogia do espírito. Todos os homens somos Adãos e todas as mulheres são Evas, que pelo pecado ou pela graça podemos ser expulsos do paraíso ou nele recebidos pela bondade divina. Não existe céu ou inferno como lugares fora de nós, já que é dentro de nós que Deus plantou seu reino.
Diria poeticamente que o ninho do ser é Deus, que seu ser é nosso ninho humano. Que o ninho do ser de Deus é o universo, que seu ser do universo é nosso ninho íntimo. Mas eis que o homem, separando-se da divindade, não mais quis a palavra Deus, não mais quis a palavra destino, mas nosso destino é a lei de Deus e Deus é o destino de todos nós. Na verdade, o maior problema do homem é Deus.
Problema? Deus ainda quer a palavra homem depois que o homem pecou e foi expulso do paraíso? Deus ainda quer a palavra vida depois que o homem levou o próprio Cristo à morte? A vida não é o bem maior do homem e o homem não é o inimigo mor da vida? Na verdade, o maior problema de Deus é o homem. O homem que destrói a natureza, criada por Deus. O homem que destrói seu semelhante, criado por Deus. O homem que se destrói a si mesmo agindo contra os desígnios de Deus.
Dos três desequilíbrios
O primeiro desequilíbrio do ser humano foi querer proclamar sua independência de Deus. Mas Deus, misericordioso, materializou-se em Cristo para redimir o homem. O segundo desequilíbrio do ser humano foi destruir a vida do seu semelhante, desde o ato de Caim matando Abel. Mas Deus, misericordioso, enviou Cristo para salvar nossa vida, fazendo-nos eternos. O terceiro desequilíbrio do ser humano foi o orgulho de si mesmo desde quando intentou construir a Torre de Babel para desvendar os segredos da ciência e da tecnologia. Mas Deus confundiu-lhe o entendimento para ter ele que recorrer à misericórdia divina, ante os mistérios da criação.
Daí, também, três grandes revelações. Primeiro – a dos mandamentos de Deus por meio de Moisés. Segundo – a do evangelho pela palavra do Cristo, atualizando a lei divina. Terceiro – a da espiritualidade que se estabeleceu em nós para reconhecermos, na natureza, as leis divinas e para reconhecermos em nossa consciência a imagem do Criador. Essas duas dimensões – da natureza e da alma – pela elevação da consciência, fazem o ser humano perceber a todo tempo a terceira dimensão, que é seu encontro ou reencontro com Deus.
Da terceira dimensão
Então todos nós podemos salvar-nos ou condenar-nos, por nossos próprios atos. Mas graças à misericórdia divina, teremos tantas vidas quantas sejam necessárias para a nossa salvação, que é passar para o plano da espiritualidade vencendo a matéria perecível, que é vencer a morte terrena passando para a vida eterna. Eis que a vida do ser humano não acaba com a morte da matéria e a morte do corpo não é o fim, mas o começo de nova vida em outra dimensão.
Agora podemos ser felizes, sem mais medo, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, praticando o amor e a caridade. Sem amor não se salva o espírito, e fora da caridade – ensina Kardec – não há salvação. Agora, sejamos todos irmãos unindo-nos pela espiritualidade em Cristo, assim como as raças humanas se uniram num só corpo formando a humanidade.
(Emílio Vieira, professor universitário, advogado e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa – E-mail: [email protected])