House of Cards à brasileira
Redação DM
Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 22:39 | Atualizado há 11 anosDifamam a democracia. Os coronéis não se aquietam. Afrontam nossa inteligência. A chantagem de Eduardo Cunha não me choca. O ditado popular tem lá sua sabedoria, dizem: colhe o que se planta, verdade inquietante.
Flertar com o inimigo é completamente diferente de acordos pontuais. A cultura que tomou conta do PT nos últimos anos esqueceu-se dessa verdade, anos de mal acordos ao invés de uma boa luta. Tornou-se amigo intimo da corja do lado de lá, o PMDB é um dos grandes ilustres.
É preciso estar atento e forte, dizia uma música, em hipótese alguma a elite brasileira se aquietaria diante das mudanças ocorridas com o aval da população braslieira, dos negros, indígenas, mulheres, lgbts aqueles à margem. Não se pode tolerar a força simbólica da vitória de um operário e de uma mulher, não se pode aceitar as mudanças das regras, você até pode sentar na mesa com a casa grande mas jamais se tornará um deles.
Aqueles antes que flertaram com o governismo exacerbados de setores do PT, agora dão o recado, não deixaram de serem traiçoeiros e rasteiros. Afrontam a democracia, o povo brasileiro. Um bandindo com contas na suíça, chefe de quadrilha tem a audácia de chantagear o PT e o governo. Isso não pode ser aceito.
Tenho deixado evidente minha posição pessoal que reflete a do grupo do qual faço parte dentro do partido dos trabalhadores, esse governo tem errado na política econômica, tem errado quando se assume uma governabilidade irresponsável, tem fortalecido os setores mais abastados deste país, e tem se acovardado quando o assunto é enfrentar a realidade da grande política. Nosso enfrentamento é diário dentro do que construímos a duras penas; a democracia.
Um golpe desse é um dos resultados quando setores do partido esquecem da luta de classe. Ousam alterar as regras democráticas, fazem do escárnio uma ferramenta na batalha suja e desleal. Diante de todas as crises e erros possíveis desse partido, em hipótese alguma ficaremos passíveis diante dos desmandos e chantagem do lado de lá da casa grande.
O grande dilema que temos; um governo tímido, um congresso conservador, e uma articulação de impeachment, o que fazer?
O lado de lá não se acostumou com as mudanças de rumo fruto do voto popular, estão a muio tempo longe do controle central, e mesmo que setores do governo e do PT tenha compactuado com medidas que prejudicaram os trabalhadores, causa incomodo quem simboliza a vontade do povo. O impeachment acelera as privatizações, cortes nos ganhos dos trabalhadores, significa uma política agressiva contra os direitos conquistados nos últimos anos.
Defenderemos a democracia e a continuidade do governo? Sim. No entanto é preciso dizer qual democracia e governo queremos. A vontade popular permitiu que o PT e as forças progressistas pudessem governos este país por 12 anos, e agora queremos mostrar qual é o caminho. Queremos mais democracia, mais direitos, não queremos pagar a divida da crise, mas para isso é preciso ter governo e é preciso ter uma democracia forte.
Este é momento que mais uma vez o povo dá uma chance para Dilma, é hora de reinventar o governo, é hora de ter coragem, é hora de ir pra cima deles!
Estamos aqui com nossa crítica, com as nossas banderias e estamos aqui do lado da democracia. Não haverá golpe, não haverá calúnia, não titubaremos. Ao mesmo tempo que sabemos,é hora de corrigir a rota, é hora de escolher o lado dos trabalhadores, é hora de honrar a cor da bandeira, é hora de partir pra cima dessa gente hipócrita e careta de cunhas, bossanoros, fhcs e afins. Pra cima deles com tudo!
(Flávio Batista, professor de Geografia, militante do Partido dos Trabalhadores)