Impressões do México
Redação DM
Publicado em 12 de novembro de 2016 às 01:37 | Atualizado há 10 anosHá algum tempo me perguntaram se conhecia o México. Disse- sim , já estive em Cancún. Então responderam que Cancún não é México, é Estados Unidos. Em parte é verdade devido às grandes empresas de hotelaria ali existentes mas, ao mesmo tempo penso em Chichen Itzá, Tulum e região vizinha onde as civilizações pré colombianas deixaram suas marcas .
Agora, então, quero conhecer o” México”- livre das influências estrangeiras. Quero sentir seu povo , sua religião, suas crenças e suas festas. O país autêntico e puro.
Assim, cheguei à capital que é Patrimônio Mundial da Unesco e foi fundada sobre a cidade azteca de Tenochtitlan. Fui direto ao Centro Histórico. Arquitetura preservada em toda sua riqueza colonial – o Palácio do Governo contendo os famosos painéis de Rivera, acessíveis ao público, as fileiras de joalherias em prata, e, por todo lado o som de muitos realejos. Uma festa. Uma “Praça de Armas” como nas antigas cidades coloniais espanholas. No centro a Catedral Metropolitana de 1573. Ali bem perto ruinas aztecas do Templo Mayor, que era um dos principais templos daquele povo, destruído em 1521, a Casa dos Azulejos ,inúmeros museus e restaurantes. O Café Tacuba é de 1912 e preserva sua rica decoração, vitrais e mobiliário além do cardápio de época. Não visitei o museu do Objeto e outros já que México Df é considerada a cidade onde há o maior número de museus do mundo.
Preciso dizer que ,como segunda cidade maior do mundo, é impossível ver tudo em dez dias. Assim, voltei com uma certa frustração e um desejo de retornar.
No Palácio de Belas Artes onde se apresenta o Ballet Folclório – admirado por turistas do mundo, vi um espetáculo alegre e colorido – lindo.
Depois, uma visita ao Museu de Arqueologia – impressionantes as imensas esculturas Astecas retiradas do fundo do antigo lago sobre o qual foi criada a cidade primitiva e depois a cidade atual. Ali se vê o belo círculo de pedra – o dito Calendário Azteca onde se mostra a sabedoria daquele povo pré-colombiano. O Museu fica no Parque de Chapultepek onde além de um imenso jardim, abriga também o Museu de Arte Moderno, o Museu Tamayo de arte contemporânea, o Castelo, o Museu Nacional de História, o museu del Ninõ, o Centro de Cultura Digital, o zoo, parque de diversões, feiras, um parque marinho e mais.
O bairro da burguesia é Polanco. La está uma joia da arquitetura criada pelo jovem arquiteto Fernando Romero – o Museu Somaya. É uma doação de Carlos Slim – que o mantém. O museu é riquíssimo em obras de Rodin, Dali e muitos outros sem falar nos artistas da terra. Lá em Polanco ficam também o Palácio do Livro, o museu Mexicano del deseño, a Fundação Jumex de arte contemporânea.
Um pouco distante da capital ficam as cidades de Puebla e Cholula onde os espanhóis se esmeraram na riqueza das igrejas. Tetos, altares frontais e laterais tudo em ouro cobrindo os entalhes barrocos. De ofuscar a vista. Puebla é famosa por seus edifícios coloniais, arquitetura riquíssima muito bem preservada ocupando quase toda a cidade que é grande, progressista e tem comércio efervescente.
Em Xochimilco um dia de diversão.” Trajineras” e mais “trajineras” coloridas navegam cheias de alegres turistas pelos canais . Ali se come a comida típica ouvindo os Mariachis e admirando as barrancas cobertas de vegetação
Uma tarde cultural na antiga e única residência de Frida Kahlo. Ali ela se mostra inteira – seus vestidos, sapatos, acessórios, seus chales, as muletas, os espartilhos ortopédicos, a cadeira de rodas, registros de sua vida em família e entre amantes. Diego Rivera tem seu estúdio e quarto na casa. O quarto de Frida tem pendurado no teto acima de sua cama um grande espelho através do qual ela se via deitada e paralítica. Olhando por ele ela podia se ver deitada para fazer seus inúmeros auto retratos. Vida de dores e ousadia.
No domingo que antecede Finados uma passeata de Catrinas – mulheres vestidas de longos roxos ou pretos com enormes chapéus esvoaçantes do mesmo tecido enfeitados com flores coloridas. Sapatos bem altos. Todas com rosto pintado de branco formando caveiras. Homens vestem malha preta da cabeça aos pés com o desenho de esqueletos. Até as crianças se divertem nesta festa. Diferente para nossa ideia de morte.
Para encerrar a curta viagem, o ponto máximo foi a ida às Pirâmides de Tenotihuacan (100Anos aC -250dC ), uma preciosidade. Patrimônio Mundial da Unesco onde remanscem Pirâmides e construções monumentais erigidas antes de Cristo permanecem para mostrar a força, o conhecimento e grandeza do povo que as criou. A cidade que foi a maior da América pré-colombiana, povoada por aproximadamente 125.000 pessoas tinha longas avenidas como a dos mortos (45 m de largura por 4 km de extensão). Tinha apartamentos que eram complexos residenciais multe familiares, templos e palácios . Foi saqueada e destruída pelos anos 550 dC.
Não haveria melhor maneira de finalizar a viagem que apreciando a altura a que chegaram as culturas ancestrais das Américas.
(Licinio Leal Barbosa, advogado criminalista, professor emérito da UFG, professor titular da PUC-Goiás, membro titular do IAB-Instituto dos Advogados Brasileiros-Rio/RJ, e do IHGG-Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, membro efetivo da Academia Goiana de Letras, Cadeira 35 – E-mail [email protected])